VW aposta em atualização de deficitário sedã de luxo apesar de plano de cortar custos

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015 09:30 BRST
 

BERLIM (Reuters) - Depois de a Volkswagen ter embarcado em um grande movimento para cortar custos, especialistas da indústria estão surpreendidos com o planejamento da fabricante de gastar milhões de euros atualizando um sedã de luxo.

O Phaeton de 76 mil euros (86 mil dólares), um projeto de estimação do presidente do Conselho, Ferdinand Piech, nunca bateu a meta de vendas originalmente traçada pela VW de 20 mil carros por ano. Analistas dizem que o sedã, que custou mais de 1 bilhão de euros para ser desenvolvido e lançado em 2002, deveria ser cortado.

Mas fontes da VW disseram à Reuters que a empresa está agora planejando uma versão mais avançada do Phaeton --descrito pelo analista Max Warburton, da Bernstein, como um dos três "carros europeus mais deficitários dos tempos modernos".

Os planos parecem ainda mais desconcertantes para analistas após a VW ter se comprometido a fazer uma economia anual de 5 bilhões de euros em sua marca de carros de passageiros até 2017, conforme a empresa, segunda maior montadora do mundo em vendas, busca diminuir a diferença em relação à líder mundial Toyota.

Ao anunciar o "programa de eficiência" em julho passado, o presidente-executivo, Martin Winterkorn, prometeu "ação dolorosa" para reviver a marca, que viu suas margens de lucro definharem devido a uma proliferação de modelos e peças.

A remodelação do Phaeton irá bater de frente com o plano de corte de custos do CEO, disse o analista Arndt Ellinghorst, da Evercore ISI, acrescentando que a mudança de produção do modelo para a plataforma modular MLB da VW poderia custar até 650 milhões de euros.

A VW confirmou que estava planejando um sucessor para o Phaeton, mas se recusou a comentar detalhes ou custos. A empresa não divulga dados de vendas de marcas individuais, apenas os números de produção, que mostram que fabricou 5.812 Phaetons em 2013, segundo dados anuais públicos mais recentes.

(Por Andreas Cremer)