COLUNA-Dilma sabe que economia precisa de empreiteiras citadas na Lava Jato

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015 10:46 BRST
 

(O autor é editor-chefe do Serviço Brasileiro da Reuters. As opiniões expressas são do autor do texto)

Por Cesar Bianconi

SÃO PAULO (Reuters) - Dilma Rousseff reconheceu publicamente pela primeira vez que não se deve permitir a ruína de grandes empreiteiras brasileiras citadas no escândalo de propina que tem a Petrobras como protagonista, mostrando estar ciente de que isso prejudicaria ainda mais a combalida economia brasileira.

No discurso de abertura da primeira reunião ministerial de sua nova equipe, a presidente afirmou que "ser capaz de combater a corrupção não pode significar a destruição de empresas privadas também". "As empresas têm de ser preservadas, as pessoas que foram culpadas é que têm que ser punidas, não as empresas", enfatizou.

Dilma já tinha mencionado o escândalo da Petrobras publicamente em outras ocasiões importantes recentes, como em sua diplomação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 18 de dezembro último, e no discurso de posse no Congresso Nacional, em 1o de janeiro.

Nos dois momentos anteriores, porém, a presidente ignorou qualquer menção às companhias privadas denunciadas pelo Ministério Público Federal, entre elas as maiores empreiteiras do país, tendo optado por defender enfaticamente apenas a Petrobras: o nome da estatal foi repetido à exaustão, oito e nove vezes, respectivamente.

No discurso desta terça-feira, a Petrobras foi citada seis vezes e as empresas privadas, duas. Foi um evidente sinal de entendimento, pela presidente, de que não basta apenas recuperar a estatal, cujos contratos com sobrepreço teriam abastecido por muitos anos os bolsos de ex-funcionários, executivos de fornecedoras e políticos.

As seis grandes empreiteiras citadas na denúncia feita em meados de dezembro pelo Ministério Público e aceita pela Justiça estão envolvidas em grandes empreendimentos no Brasil, como sócias ou responsáveis pelas obras.   Continuação...

 
Presidente Dilma Rousseff durante reunião ministerial em Brasília. 27/01/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino