ANÁLISE-Brasil deve atrair mais capital estrangeiro em portfólio entre emergentes

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015 15:47 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil está entre os mercados emergentes que mais devem cativar investidores financeiros de fora em 2015, mesmo que em ritmo menor ao visto nos últimos anos, beneficiado pelos esforços fiscais do governo, juros altos e baixa vulnerabilidade à queda dos preços do petróleo, que compensam o quadro de inflação elevada e crescimento baixo.

Apesar do otimismo sobre as perspectivas brasileiras, especialistas consultados pela Reuters acreditam que o ano deve ser desafiador para os mercados emergentes como um todo, diante da provável alta dos juros nos Estados Unidos e da cambaleante economia global.

"Fundamentalmente, o fator mais importante para os fluxos de capital para a América Latina neste ano será a política econômica. E a direção da política econômica no Brasil está melhorando", disse o economista-chefe para a região do Institute of International Finance (IIF), Ramón Aracena.

Ele referiu-se aos recentes esforços da nova equipe econômica da presidente Dilma Rousseff para recuperar a credibilidade da política fiscal, bastante criticada pelas enormes desonerações e manobras contábeis nos últimos anos.

Embora os analistas não divulguem projeções sobre os fluxos em portfólio para o Brasil, o Banco Central espera que o investimento estrangeiros em ações de empresas brasileiras tenha leve crescimento em 2015, para 13 bilhões de dólares, contra 11,546 bilhões de dólares em 2014.

Para o mercado de renda fixa, a estimativa do BC é de entrada líquida de recursos estrangeiros de 20 bilhões de dólares, quase inalterada frente aos 20,106 bilhões de dólares apurados no ano passado.

Já Aracena, ainda que sem dar números detalhados, vê um leve recuo nos fluxos para o Brasil em 2015, mas em ritmo menor do que seus pares na América Latina, para então recuperarem no ano seguinte. O IIF projeta entrada líquida de recursos externos na América Latina de 271 bilhões de dólares em 2015 e de 312 bilhões de dólares em 2016, contra 304 bilhões de dólares no ano passado.

"O Brasil oferece um dos maiores rendimentos entre todos os mercados emergentes", disse o estrategista-chefe em renda fixa para a América Latina do Credit Suisse, Daniel Chodos. "Mesmo quando você ajusta esse valor para incluir o custo de proteção cambial... a taxa ainda é muito alta".   Continuação...