BC diz que avanços no combate à inflação ainda não são suficientes

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015 11:35 BRST
 

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO (Reuters) - Os avanços no combate à inflação ainda não foram suficientes, apesar de o cenário de convergência da inflação para o centro da meta em 2016 ter se fortalecido, avaliou o Banco Central nesta quinta-feira, ao mesmo tempo em que piorou sua visão sobre o aumento de preços neste ano.

Por meio da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC elevou muito sua estimativa da alta dos preços administrados em 2015, para 9,3 por cento ante os 6 por cento calculados antes, um dos principais fatores de pressão da inflação.

"O Copom avalia que o cenário de convergência da inflação para 4,5 por cento em 2016 tem se fortalecido", trouxe a ata. "Contudo, os avanços alcançados no combate à inflação --a exemplo de sinais benignos vindos de indicadores de expectativas de médio e longo prazo-- ainda não se mostram suficientes."

Na semana passada, o Copom manteve o ritmo e elevou a Selic em 0,5 ponto percentual, a 12,25 por cento ao ano, para tentar domar a inflação e deixou a porta aberta sobre o ritmo de aperto que adotaria dali para frente.

No fim de outubro, o Copom deu início ao atual ciclo de aperto monetário ao subir a Selic em 0,25 ponto percentual, em decisão surpreendente e que não contou com o apoio de todos os membros do comitê. No encontro de dezembro, acelerou o passo e puxou a taxa em 0,5 ponto percentual.

"Vai ter novo aumento (da Selic)? Vai. Agora, a magnitude do novo aumento vai depender do cenário de cada economista", disse o tesoureiro-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, para quem o juros será elevado em 0,25 ponto percentual em março, quando o Copom reúne-se novamente.

"Ele (BC) fez questão de alternar entre algumas sinalizações mais 'dovish' e outras mais 'hawkish'", completou, referindo-se à menção, entre outros, feita pelo BC de que houve avanços no combate à inflação mas não suficientes.

De modo geral, parte dos especialistas ainda acredita que o BC deixou a porta aberta sobre seus próximos passos na condução da política monetária. No mercado de juros futuros, esse também era o sentimento nesta sessão.   Continuação...

 
Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante reunião ministerial em Brasília. 27/01/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino