Petrobras pode não pagar dividendos de 2014 e vê investigação por até 2 anos

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015 20:51 BRST
 

Por Marta Nogueira e Jeb Blount

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras, no centro de um escândalo bilionário de corrupção, indicou que poderá não pagar dividendos de 2014 aos acionistas em caso de estresse financeiro e que a investigação contratada para apurar irregularidades na empresa poderá se estender por até dois anos.

A diretoria da companhia traçou nesta quarta-feira um panorama difícil para o futuro próximo, um dia após ter divulgado o balanço não auditado do terceiro trimestre de 2014 sem nenhuma baixa contábil por fraude envolvendo a empresa, frustrando expectativas de analistas e investidores.

"Há a possibilidade de não haver pagamento de dividendos, essa é uma alternativa que pode ser avaliada dependendo da situação da companhia", disse o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, durante teleconferência com analistas e investidores, referindo-se aos resultados da empresa em 2014.

Mesmo em caso de fechar o balanço do ano com lucro, o executivo frisou que a petroleira poderá declarar o dividendo e não realizar o pagamento de imediato, opção que exigiria aprovação não apenas do Conselho de Administração, mas também de assembleia geral de acionistas.

A Petrobras é peça-chave da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, segundo a qual executivos da estatal indicados por políticos conspiraram com empresas de engenharia e construção do país para sobrevalorizar obras entre 2004 e meados de 2012.

As incertezas sobre a saúde financeira da Petrobras têm deixado a estatal na berlinda e assombrado o início de segundo mandato da presidente da República Dilma Rousseff, que presidiu o Conselho de Administração da estatal de 2003 a 2010.

Na terça-feira, a Petrobras deu uma sinalização do tamanho das baixas contábeis que poderá ter que registrar, ao declarar que a avaliação de 52 empreendimentos em construção ou em operação citados na Lava Jato estão com valor contábil mais de 60 bilhões de reais acima de seu valor justo.

No entanto, o Conselho optou por não ratificar a abordagem do valor justo para os ativos, por não concordar com a metodologia, que incluiu diversos fatores econômicos além da própria corrupção, o que levou a um valor muito alto.   Continuação...

 
Sede da Petrobras, no centro do Rio de Janeiro. 16/12/2014 REUTERS/Sergio Moraes