Fusões podem liderar mercado de dívida no Brasil em 2015, diz Anbima

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015 17:28 BRST
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado de captação de dívida por empresas brasileiras deve seguir apertado em 2015, com aumento das taxas e encurtamento de prazos, mas movimentos setoriais de consolidação podem assumir a liderança nas captações, disse nesta segunda-feira uma executiva da Anbima, que representa instituições do mercado de capitais.

"Podemos ter aquisições e fusões parcialmente financiadas via dívida", disse à Reuters a diretora da Anbima Carolina Lacerda, citando como candidato o segmento de construção pesada.

Segundo executivos de bancos de investimentos, o setor de construção civil deve enfrentar uma consolidação, diante dos desdobramentos da operação Lava Jato, que investiga escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras e várias das grandes empreiteiras do país.

As agências de classificação de risco Fitch, Moody's e Standard & Poor's cortaram os ratings de várias construtoras nas últimas semanas, citando possível piora das condições de mercado devido aos efeitos das investigações. A Petrobras suspendeu negócios com 23 empreiteiras citadas na operação da Polícia Federal. A OAS já anunciou no mês passado que pode vender certos ativos para reforçar sua liquidez.

Segundo Carolina, operações desse e de outros setores tendem a tomar a dianteira do mercado de dívida, posição historicamente assumida pela própria Petrobras e pela Vale, companhia cujo cenário global mais adverso em mineração a levou a ter o rating de crédito cortado na semana passada pela S&P.

MAIS TAXA, MENOS PRAZO

Mas mesmo as empresas que conseguirem captar terão que pagar mais caro e provavelmente terão que emitir com instrumentos de prazos menores, como as notas promissórias, disse a executiva. "É o cenário que temos agora", disse.   Continuação...