Grécia apresenta "menu" da dívida para tentar conquistar a zona do euro

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015 09:48 BRST
 

Por William James e Renee Maltezou

LONDRES/ATENAS (Reuters) - O novo governo da Grécia abandonou os pedidos pelo perdão de sua dívida externa e propôs o fim do impasse com seus credores oficiais, trocando a dívida por títulos indexados ao crescimento, uma semana depois de ser eleito com base em uma plataforma contra as medidas de austeridade.

O ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, que está em Londres para tranquilizar os investidores privados, declarou, na segunda-feira, não estar à procura de um confronto com a Comissão Europeia sobre um novo acordo da dívida e que o novo governo de esquerda grego pouparia de perdas os títulos em mãos de particulares, disse uma fonte à Reuters.

As propostas mencionadas, que incluem a promessa de reformar a economia grega, contrastam fortemente com as promessas firmes feitas pelo governo em Atenas na semana passada de abandonar as condições difíceis de austeridade impostas pelo plano de resgate financeiro da Grécia.

Na noite de segunda-feira, Varoufakis emitiu um comunicado no qual diz que seus comentários para investidores do setor financeiro foram mal interpretados. Ele não deu detalhes, mas os meios de comunicação gregos repercutiram amplamente que ele recuou do objetivo do governo de reduzir a dívida.

"O governo e o ministro das Finanças não vão recuar, independentemente do quão aflitas algumas pessoas estejam com a nossa determinação", afirmou Varoufakis no comunicado.

Não ficou claro se as propostas seriam aceitas pela Alemanha, o peso-pesado da União Europeia, que se opõe à flexibilização das condições.

Varoufakis não discutiu a troca da dívida com representantes de seus credores da União Europeia ou do Banco Central Europeu, disse a fonte, que tem conhecimento direto dos planos, mas não pode ser identificada por se tratar de um assunto sensível.

O ministro das Finanças disse também que não tinha fixado um valor para a troca, segundo a fonte, que definiu a situação como um “trabalho em andamento”.   Continuação...

 
Ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, e ministro das Finanças britânico, George Osborne, em Downing Street, em Londres. 02/02/2015 REUTERS/Peter Nicholls