Indústria no Brasil cai 3,2% em 2014, pior em 5 anos, e vai enfrentar mais dificuldades

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015 11:53 BRST
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A produção industrial brasileira fechou 2014 com queda de 3,2 por cento, o pior resultado em cinco anos e com forte debilidade dos investimentos, apontando para um 2015 difícil em que o setor pode registrar nova contração sob a ameaça de racionamento de energia e água.

O cenário é mais complicado porque o setor definhou ainda mais no final do ano. Em dezembro, a produção recuou 2,8 por cento sobre o mês anterior, o mais fraco desempenho desde julho de 2013 (-3,6 por cento) e igualando a taxa de dezembro daquele ano, informou o Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística (IBGE) nesta terça-feira.

Em novembro, a queda mensal havia sido de 1,1 por cento em número revisado de recuo de 0,7 por cento. Na comparação com um ano antes, a produção teve queda de 2,7 por cento em dezembro, o décimo resultado negativo seguido. O resultado de 2014 é o pior resultado desde a queda de 7,1 por cento vista em 2009, auge da crise internacional.

"A indústria terminou o ano num ritmo pior no fim do ano. Mais que a queda anual, o que se vê é uma indústria num ritmo menor do que se via", destacou o economista do IBGE André Luiz Macedo.

A expectativa de analistas em pesquisa da Reuters era de que a produção industrial recuasse 2,5 por cento em dezembro sobre o mês anterior e 2,4 por cento na comparação com um ano antes.[nL1N0VC101]

De acordo com o IBGE, a categoria com pior desempenho tanto no ano quanto em dezembro foi a de Bens de Capital, medida de investimento. Somente no mês passado ela registrou recuo de 23 por cento sobre novembro, acumulando queda de 9,6 por cento em 2014 pressionada principalmente pelo recuo na fabricação de equipamentos de transporte (-16,6 por cento).

"Eu invisto hoje para crescer amanhã, então esse número de bens de capital reflete expectativas e confiança do empresário baixas. Este ano vai depender muito do que acontecerá em relação às questões de infraestrutura", avaliou a economista do Banco ABC Brasil, Mariana Hauer.

Já os Bens de Consumo Duráveis tiveram queda de 2,2 por cento na produção em dezembro sobre o mês anterior, chegando à perda de 9,2 por cento no ano passado com destaque para a redução na fabricação de automóveis (-14,6 por cento) no período.   Continuação...

 
Operários na construção da hidrelétrica Teles Pires em Paranaíta, no Mato Grosso. 22/05/2014 REUTERS/Roosevelt Cassio