February 3, 2015 / 4:14 PM / 2 years ago

Itaú Unibanco supera previsão de lucro no 4º tri; calotes caem

5 Min, DE LEITURA

SÃO PAULO (Reuters) - O Itaú Unibanco superou previsões de lucro no quarto trimestre e mostrou confiança em manter a qualidade da carteira em 2015, mesmo com a fraca economia do Brasil e dos desdobramentos da operação Lava Jato, o que fazia suas ações subirem forte.

Reflexo de itens como queda da inadimplência, maiores margens com crédito e aumento das receitas com serviços, o lucro líquido do maior banco privado do país somou 5,52 bilhões de reais, alta de 18,8 por cento ante mesma etapa de 2013.

Em bases recorrentes, o lucro foi de 5,66 bilhões de reais, alta de 20,9 por cento no comparativo anual. A previsão média de analistas ouvidos pela Reuters era de lucro recorrente de 5,367 bilhões de reais.

Parte disso deveu-se a maiores ganhos com crédito. A margem líquida com clientes, ajustada ao risco e após despesas com provisões, atingiu 7,3 por cento, 0,3 ponto percentual acima do trimestre anterior. Ou seja, o banco conseguiu elevar taxas dos empréstimos e teve menos gastos com riscos.

Isso ocorreu mesmo após o estoque de financiamentos ter fechado o ano em 525,519 bilhões de reais, alta anual de apenas 8,7 por cento. Mesmo incluindo a carteira de títulos privados de renda fixa, o que leva o avanço a 9,8 por cento, o banco ficou abaixo da sua própria estimativa, de 10 a 13 por cento.

Os destaques de alta anual foram o consignado (+79,5 por cento) e o imobiliário (+19,4 por cento). Em contrapartida, a carteira de veículos caiu 28,3 por cento, também no ano a ano, mais uma vez sendo a única linha voltada à pessoa física a mostrar queda.

Outro ponto positivo do balanço foi a décima queda seguida da inadimplência, atingindo o menor nível histórico desde a fusão entre Itaú e Unibanco, em novembro de 2008. O índice, medido pelo saldo de operações vencidas com mais de 90 dias, foi de 3,1 por cento no quarto trimestre, ante 3,2 por cento no trimestre anterior e 3,7 por cento um ano antes.

As despesas com provisões para perdas esperadas com calotes, no entanto, somaram 4,614 bilhões no trimestre, alta anual de 10,1 por cento. O avanço foi influenciado por uma provisão adicional de 670 milhões de reais no período e o banco previu que o atual cenário econômico pode ter impacto em alguns setores.

Para 2015, o banco previu que as despesas nessa linha ficarão na faixa de 13 bilhões a 15 bilhões de reais, a mesma indicada para 2014. As provisões no ano passado foram de 13 bilhões.

"Estamos confortáveis com nosso modelo e as provisões", disse nesta terça-feira a jornalistas o presidente-executivo do banco, Roberto Setubal.

O executivo disse não ver necessidade de provisão extra para eventuais desdobramentos da operação Lava Jato, que investiga um escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras e grandes empreiteiras do país.

ações Sobem

O balanço e os comentários do executivo tiveram reação positiva do mercado. Na bolsa paulista, a ação do Itaú Unibanco subia 3,4 por cento, às 13h57. No mesmo instante, o Ibovespa ganhava 2,46 por cento.

"O Itaú conseguiu resistir à pressão da economia e do setor bancário", comentaram os analistas do BTG Pactual Eduardo Rosman, Gustavo Lobo e Jose Luis Rizzardo, em relatório.

A rentabilidade sobre o patrimônio líquido foi de 24,7 por cento no quarto trimestre, no mesmo nível do trimestre anterior e acima dos 23,9 por cento de um ano antes, à frente dos grandes bancos privados do país.

Receitas E Despesas

O Itaú viu suas receitas com serviços e tarifas darem um salto de 13,1 por cento no ano a ano, para 6,825 bilhões de reais no trimestre, impulsionadas pela aquisição da Credicard.

O banco fechou 2014 com alta de 10,1 por cento das despesas administrativas, chamadas de não decorrentes de juros, abaixo da faixa prevista para o ano, de 10,5 a 12,5 por cento. No quarto trimestre somente, a linha mostrou avanço de 8,1 por cento sobre um ano antes, ponto que analistas viram como negativo, por ter ficado acima da inflação.

Para 2015, o Itaú Unibanco previu alta de 6 a 9 por cento de sua carteira de financiamentos em 2015. Na semana passada, ao abrir a temporada de balanços do setor, o Bradesco projetou alta de 5 a 9 por cento de sua carteira neste ano.

Por Aluísio Alves e Guillermo Parra-Bernal

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