Atuação do BC no câmbio não deve mudar e intervenção pode ir além de março, diz fonte

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015 17:36 BRST
 

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central não tem intenção de mudar o rumo de suas atuações no câmbio, pelo menos por enquanto, e mantém em aberto a possibilidade de estender suas intervenções diárias no mercado para além de março, indicou à Reuters uma importante fonte da equipe econômica.

As especulações no mercado sobre os próximos passos da autoridade monetária no câmbio cresceram depois que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sugeriu na sexta-feira passada que não há intenção do governo de manter a moeda brasileira valorizada artificialmente.

"Não tem nada disso... Foi um comentário ruim num dia ruim", afirmou à Reuters a fonte, que falou sob condição de anonimato.

As declarações de Levy fizeram o dólar subir quase 3 por cento ante o real na sexta-feira, mesmo após a assessoria do ministro procurar a imprensa para afirmar que ele estava falando sobre o câmbio no mundo, e não no Brasil.

O movimento continuou na segunda-feira, quando a moeda norte-americana avançou 0,96 por cento, a 2,71 reais e no maior patamar em mais de um mês, com investidores desmontando apostas na queda da divisa e testando novas máximas.

A fonte da equipe econômica ouvida pela Reuters lembrou que o BC anunciou, na própria sexta-feira, o início da rolagem dos swaps cambiais que vencem em março, indicando que pretende repor em 100 por cento os papéis e mantendo o ritmo dos últimos cinco meses.

A rolagem dos contratos, que equivalem a venda de dólares no futuro e cujo estoque total hoje soma pouco mais de 110 bilhões de dólares, tem sido uma das ferramentas usadas pelo BC para evitar volatilidade no câmbio.

Investidores, de modo geral, entendem que a fatia rolada dos lotes que vencem são um sinal do ímpeto do BC para atuar no mercado. Quanto maior a rolagem, maior a necessidade de evitar pressões sobre o câmbio. E vice-versa.   Continuação...