Governo recorre a Levy para ajudar com balanço da Petrobras, dizem fontes

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015 22:16 BRST
 

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi acionado pela presidente Dilma Rousseff para encontrar uma solução para o balanço contábil da Petrobras, para que a metodologia adotada seja aceita pelos órgão de controle do mercado de ações, disseram à Reuters duas fontes nesta terça-feira.

"Ele (Levy) entende dessa coisa e está debruçado sobre isso", afirmou à Reuters um parlamentar com conhecimento do assunto, sob condição de anonimato.

A Petrobras anunciou o balanço não auditado do terceiro trimestre na semana passada, em um anúncio que não incluiu nenhuma baixa contábil relacionada às denúncias de corrupção da Operação Lava Jato, em meio à dificuldade de se estabelecer valores incontestáveis enquanto o processo ainda corre na Justiça.

Especialista em contas públicas, Levy, ex-secretário do Tesouro, foi chamado para encontrar uma fórmula na medida em que a situação da Petrobras também impacta o governo.

O escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras já afetou as emissões externas do Brasil este ano, disse separadamente à Reuters nesta terça-feira uma fonte da equipe econômica com conhecimento do assunto.

Uma segunda fonte do governo confirmou que Levy foi escalado para ajudar com o tema.

"Ele participa de um esforço para que uma metodologia seja pactuada entre os órgão reguladores de mercado de ações", disse a fonte, sob condição de anonimato, indicando a preocupação do governo em ter um balanço que seja aprovado pela SEC, dos Estados Unidos, e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

"Não há uma metodologia reconhecida mundialmente para dar baixa no balanço de ativos fraudados", explicou a fonte, que não negou que nessas conversas o ministro da Fazenda também esteja prospectando nomes para atuar na diretoria e no Conselho de Administração da Petrobras.   Continuação...

 
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante primeira reunião ministerial em Brasília, na semana passada. 27/01/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino