ANÁLISE-Mudanças na Petrobras vão demorar, mesmo com novo CEO

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015 21:32 BRST
 

Por Jeb Blount

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os investidores que apostam que uma mudança esperada há muito tempo na gestão da Petrobras levará a uma rápida recuperação financeira da estatal petroleira provavelmente irão se decepcionar.

Mesmo com as alterações no alto comando, há poucos sinais de que a Petrobras vá se recuperar rapidamente do maior escândalo de corrupção da história do país. As mudanças de executivos também não terão muito significado se a presidente da República, Dilma Rousseff, não conseguir aliviar a interferência política sobre a companhia ou falhar em reconhecer a dimensão total dos problemas.

As ações preferenciais da Petrobras subiram 24 por cento desde o início desta semana, sobretudo pela expectativa da renúncia da presidente-executiva da estatal, Maria das Graças Foster.

A Petrobras anunciou a saída de Graça e de outros cinco diretores, incluindo o diretor financeiro, Almir Barbassa, e o diretor de exploração, José Formigli, por meio de uma nota concisa divulgada nesta quarta-feira.

As renúncias ocorreram bem antes do fim de fevereiro, para quando eram esperadas, e surpreenderam o governo, que desejava ter mais tempo para encontrar substitutos.

Mas será preciso mais do que um novo presidente-executivo para fazer a Petrobras emergir das profundezas de um escândalo multibilionário envolvendo superfaturamento de preços e propinas.

Para mudanças sérias serão necessárias atitudes tomadas por Dilma, verdadeira chefe da petroleira, que foi a presidente do Conselho de Administração da estatal entre 2003 e 2010 e continua a acompanhar de perto os assuntos da companhia.

Somando seu tempo à frente do Conselho e como presidente da República, Dilma esteve à frente da Petrobras por 12 anos, período notório pela descoberta de novas reservas de petróleo mas também pelos débitos crescentes, custos excedentes, metas de produção não alcançadas e prazos estourados para a conclusão de projetos.   Continuação...

 
Sede da Petrobras no Rio de Janeiro. 04/02/2015 REUTERS/Ricardo Moraes