CEO da Petrobras do setor bancário demanda diretoria técnica

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 14:53 BRST
 

Por Marta Nogueira e Gustavo Bonato

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A indicação de Aldemir Bendine para a presidência da Petrobras, um executivo com perfil do setor bancário, vai demandar a nomeação de diretores qualificados, com experiência no setor de petróleo, para comandar importantes diretorias da petroleira ainda sem definição.

Além de estar entranhada em um dos maiores escândalos de corrupção do Brasil, a Petrobras vive um cenário de preços de petróleo em queda, com as maiores petroleiras do mundo cortando custos, renegociando contratos e reduzindo investimentos.

A empresa tem um ambicioso plano bilionário para elevar a produção nos próximos anos, principalmente em áreas desafiadoras, como a camada pré-sal.

"Quem cuidaria das questões técnicas seriam os diretores, que nós não sabemos quem são. Se os diretores tiverem o mesmo perfil (de fora do setor de petróleo), vai ser um desastre", disse o ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e consultor John Forman.

Bendine, atual presidente do Banco do Brasil, substituirá Maria das Graças Foster, que renunciou ao cargo nesta semana, segundo três fontes do governo disseram à Reuters nesta manhã.

O Conselho de Administração da Petrobras está reunido nesta sexta para eleger um nome indicado pela Presidência da República para ocupar a cadeira de presidente-executivo da petroleira.

Além de Bendine, o Conselho apontará o atual vice-presidente financeiro do BB, Ivan Monteiro, para a diretoria de Finanças da Petrobras, segundo disse à Reuters uma fonte próxima ao banco, que falou sob condição de anonimato.

"Esse trabalho de ajuste que a empresa vai ter que fazer, que aliás todas as outras grandes empresas (do setor) estão fazendo, mudanças no portfólio de investimento, renegociação de contratos, em função da variação abrupta do preço do petróleo... é um trabalho dos diretores da companhia, não do CEO, isso vai depender muito dos nomes que serão escolhidos para a diretoria", afirmou o professor adjunto do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Edmar de Almeida.   Continuação...