Dilma coloca Bendine, ex-BB e homem de confiança, no comando da Petrobras

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 17:40 BRST
 

Por Cesar Bianconi

SÃO PAULO (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff escolheu Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e homem de sua confiança, para assumir a presidência da Petrobras, desapontando investidores que torciam por um nome do mercado para recuperar a imagem arranhada da petroleira.

Funcionário de carreira do BB, Bendine terá entre seus desafios limpar o balanço da Petrobras, que tem ativos sobrevalorizados em dezenas de bilhões de reais, por sobrepreço em contratos e falhas em projetos de engenharia, entre outras razões.

A petroleira está no centro de um escândalo bilionário de corrupção, revelado na Operação Lava Jato da Polícia Federal e considerado o maior da história do Brasil, envolvendo ex-funcionários, executivos de empreiteiras e políticos.

Por ser considerado bastante alinhado às políticas do atual governo, a indicação de Bendine frustra expectativas de investidores e analistas de que o novo líder da petroleira viesse do mercado.

A escolha de Bendine indica as dificuldades que Dilma teve para costurar a sucessão na Petrobras de forma súbita, em 48 horas, com a renúncia repentina da presidente Maria das Graças Foster e de outros cinco diretores da companhia, em um movimento que surpreendeu o Palácio do Planalto.

Bendine assumiu o maior banco da América Latina em abril de 2009. Sob sua chefia, a instituição federal liderou uma ofensiva do governo petista no crédito para atenuar os efeitos da crise financeira global na economia brasileira.

Além de Bendine, o Conselho de Administração da Petrobras escolheu em reunião nesta sexta o ex-vice-presidente financeiro do BB Ivan Monteiro para ocupar a diretoria de Finanças e outros quatro diretores interinos para áreas operacionais.

A indicação de Bendine e de Monteiro para o comando da Petrobras tinha sido antecipada mais cedo à Reuters por três fontes do governo e uma próxima ao banco.   Continuação...

 
Novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, em entrevista à Reuters Latin American Investment Summit quando presidia o BB, em São Paulo. 1/4/2011 REUTERS/Nacho Doce