Dólar fecha na máxima em mais de 10 anos e vai a R$2,7782

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 17:11 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu mais de 1 por cento ante o real e fechou na máxima em mais de dez anos nesta sexta-feira, após números fortes sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos reforçarem as apostas de que os juros começarão a subir em meados do ano na maior economia do mundo.

O avanço também foi impulsionado pela apreensão dos investidores com o futuro da Petrobras e com as mudanças na diretoria do Banco Central brasileiro. Na avaliação de alguns analistas, a nova diretoria do BC sinaliza uma política monetária menos austera no futuro.

A moeda norte-americana avançou 1,34 por cento, a 2,7782 reais na venda, após atingir 2,7852 reais na máxima da sessão. A cotação de fechamento é a maior desde 9 de dezembro de 2004 (2,781 reais). Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 900 milhões dólares.

A criação de empregos nos EUA acelerou de forma sólida e superou as expectativas do mercado no mês passado, enquanto a renda média mostrou forte recuperação.

O resultado jogou um balde de água fria sobre as apostas de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, poderia elevar os juros mais tarde do que o esperado.

"O mercado vinha trabalhando com alguma possibilidade de o Fed postergar o início do aperto monetário para a segunda metade do ano. Hoje veio um dado extremamente bom, então o mercado está caminhando na direção contrária", disse o economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flavio Serrano.

Juros mais altos tendem a atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados em outros mercados, como o brasileiro. Esse movimento pode se intensificar se a nova composição do BC brasileiro realmente se traduzir em menos altas da Selic, como alguns investidores temem.

O BC anunciou na véspera que Luiz Awazu substituirá Carlos Hamilton Araújo, de perfil mais austero, na diretoria de Política Econômica, que naturalmente tem forte influência sobre a condução da política monetária. Awazu acumulava as diretorias de Assuntos Internacionais e de Regulação.   Continuação...