Dilma busca blindagem política com Bendine, mas desenha Conselho com cara de mercado

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 19:04 BRST
 

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA (Reuters) - A escolha de Aldemir Bendine para presidir a Petrobras, feita sob pressão e entre poucas opções, busca blindar o governo do escândalo de corrupção que atinge a estatal, mas a presidente Dilma Rousseff desenha um Conselho de Administração mais voltado ao mercado para equilibrar o comando da estatal, disse à Reuters um ministro nesta sexta-feira.

"Diante da grande crise que vive a Petrobras, ela decidiu que era melhor colocar Bendine, que tem maior capacidade de suportar pressões", disse à Reuters o ministro, sob condição de anonimato. Além de Bendine, apenas o nome de Murilo Ferreira, presidente da Vale, estava em análise para comandar a petroleira, disse a fonte.

"No Conselho a ideia é equilibrar um pouco" essa opção mais caseira para a presidência da estatal, segundo a fonte. A escolha de Bendine desapontou investidores, que esperavam um nome do mercado para recuperar a imagem arranhada da petroleira. As ações preferenciais da estatal fecharam em queda de quase 7 por cento, enquanto as ordinárias caíram 6,5 por cento.

A busca por novos nomes para o Conselho de Administração, atualmente presidido pelo ex-ministro Guido Mantega, será liderada pelo atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Também são membros do Conselho indicados pelo governo a ex-ministra do Planejamento, Miriam Belchior, o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, e o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann. No final do ano passado, Dilma disse que mudaria todo o Conselho da estatal.

Dilma não queria substituir Maria das Graças Foster no comando da empresa, mas percebeu que a executiva, sua amiga pessoal, não tinha mais condições emocionais de continuar no cargo e aceitou seu pedido de demissão.

A presidente havia desenhado uma saída suave para Graça Foster, como gosta de ser chamada, permitindo que ela encontrasse uma solução para divulgação do balanço contábil auditado da Petrobras.

O cronograma acertado entre as duas, no entanto, não foi aceito por outros cinco diretores, que com a executiva apresentaram demissão coletiva na manhã da quarta-feira, cerca de 48 horas antes da reunião do Conselho de Administração nesta sexta.   Continuação...