Dólar fecha quase estável ante real e segue perto de máximas em mais de 10 anos

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015 17:14 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou praticamente estável ante o real nesta segunda-feira, mas continuou perto das máximas em mais de uma década após testar mais cedo o patamar de 2,80 reais, em meio a preocupações com o futuro da Grécia na zona do euro, a desaceleração da economia chinesa e as incertezas locais.

A moeda norte-americana teve leve recuo de 0,03 por cento, a 2,7774 reais na venda. Na máxima da sessão, a divisa alcançou 2,7969 reais, maior nível desde o fim de 2004. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 436 milhões de dólares.

Segundo analistas, não há perspectiva de alívio no mau humor global no curto prazo, o que significa que a divisa pode encontrar forças para continuar a escalada nas próximas sessões.

"Não dá para saber até onde o dólar vai chegar. E como a perspectiva é incerta, qualquer susto se transforma em um movimento expressivo", disse o gerente de câmbio do Banco Confidence, Felipe Pellegrini.

Após uma semana de intensa valorização da divisa norte-americana, em meio a temores sobre a possível saída da Grécia da zona do euro e a alta dos juros nos Estados Unidos, dados fracos sobre a economia chinesa somaram-se ao quadro apreensão.

As importações chinesas caíram 20 por cento em janeiro em relação ao ano anterior, maior recuo desde maio de 2009, o que mostra que a segunda maior economia do mundo ainda está perdendo força apesar de uma série de estímulos. A China é um importante parceiro comercial do Brasil e números fracos sobre o país costumam respingar em outros mercados emergentes.

No cenário doméstico, investidores continuavam mostrando ceticismo sobre a nomeação de Aldemir Bendine à presidência-executiva da Petrobras, o que já havia contribuído para elevar o dólar na sexta-feira. Segundo analistas, a combinação de apreensão com o futuro da estatal e a fraqueza nos fundamentos macroeconômicos brasileiros faz com que os ativos brasileiros mostrem tendência pior do que de outros mercados emergentes.

"O cenário está muito negativo no mundo, o que se reflete em pressão aqui. O mercado está muito apreensivo", disse o operador de câmbio da corretora Intercam Glauber Romano.   Continuação...