10 de Fevereiro de 2015 / às 11:10 / 3 anos atrás

HSBC pode ser investigado nos EUA por contas na Suíça

Logo do banco HSBC em agência em Zurique. 09/02/2015 REUTERS/Arnd Wiegmann

LONDRES/ZURIQUE/WASHINGTON (Reuters) - O banco HSBC poderá ser alvo de uma investigação de autoridades norte-americanas e de um inquérito de parlamentares britânicos após admitir falhas de sua unidade suíça de private bank, que podem ter permitido a alguns clientes sonegar impostos.

Promotores do Estados Unidos vêm intensificando os esforços para estabelecer se o HSBC, o segundo maior banco do mundo, ajudou cidadãos do país a fraudar impostos, depois de reportagens na mídia afirmando que o banco havia ajudado clientes ricos a ocultarem milhões de dólares em ativos.

Autoridades norte-americanas também estão checando se o HSBC manipulou taxas de câmbio, e um oficial do setor de investigações dos EUA disse na segunda-feira que a apuração do caso poderia levar o Departamento de Justiça a rever um acordo feito em 2012 com o banco para que não fosse processado.

O acordo era parte de um acerto de 1,9 bilhão de dólares que permitiu ao HSBC escapar de ser processado criminalmente depois que as autoridades descobriram que o banco havia ajudado a movimentar centenas de milhões de dólares em dinheiro do tráfico de drogas por intermédio do sistema financeiro norte-americano.

“É bem possível que (o acordo) possa ser reaberto como resultado das atividades do banco na evasão fiscal ou na manipulação cambial, ou em ambas”, disse a autoridade dos EUA, que pediu anonimato porque as investigações ainda estão em curso.

Parlamentares britânicos disseram que planejam abrir um inquérito sobre o banco depois que passou a ser alvo de investigações sobre suas práticas no passado na Suíça.

As ações do HSBC caíam 1,5 por cento às 9h (horário de Brasília) nesta terça-feira, um desempenho inferior ao índice do setor bancário europeu. Seu valor baixou 1,6 por cento na segunda-feira depois das reportagens sobre as atividades de sua unidade na Suíça, com base em dados de clientes no período 2006-07.

O banco emitiu um comunicado na noite de domingo em resposta às reportagens, mas nesta terça-feira um porta-voz da instituição não quis fazer mais comentários.

O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), que coordenou a divulgação dos detalhes dos dados vazados de clientes, afirmou que uma lista de pessoas com contas do HSBC na Suíça inclui jogadores de futebol e tênis, estrelas do rock e atores de Hollywood.

A Reuters não pôde verificar de forma independente nenhum dos nomes listados pelo ICIJ. Não é ilegal abrir uma conta bancária na Suíça, e muitas delas são mantidas para fins legítimos.

A lista de clientes do HSBC suíço recém-divulgada inclui governantes e membros da realeza, como o rei do Marrocos, Mohammed, políticos, executivos de empresas, incluindo o ex-presidente do Santander Emilio Botín, que morreu no ano passado, e famílias ricas, disse o ICIJ. Um porta-voz do palácio real marroquino não quis comentar.

O jogador uruguaio de futebol Diego Forlán, incluído na lista, negou na segunda-feira ter sonegado impostos ocultando dinheiro em contas do HSBC na Suíça.

Os documentos também relacionam traficantes de armas, pessoas ligadas a ex-ditadores e traficantes dos chamados diamantes de sangue, e vários indivíduos na atual lista de sanções dos EUA, incluindo Gennady Timchenko, ligado ao presidente russo, Vladimir Putin. O Grupo Volga, de Timchenko, não quis fazer comentários.

“Nós reconhecemos e assumimos a responsabilidade por falhas no cumprimento das normas e nos controles no passado”, disse o HSBC depois que agências de notícias publicaram as alegações sobre o seu banco privado suíço.

O jornal britânico The Guardian e outros meios de comunicação citaram documentos obtidos via ICIJ publicados pelo diário francês Le Monde.

O HSBC afirmou que o seu braço suíço não havia sido totalmente integrado à instituição, após sua compra em 1999, o que fez com que persistissem padrões “significativamente mais baixos” de conformidade e checagens nos serviços.

Reportagem adicional de Tom Miles em Genebra, Mark John em Paris e Andrew Osborn em Londres

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