Dólar sobe mais de 1% e vai a R$2,81 pela 1ª vez desde o fim de 2004

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015 13:25 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subia mais de 1 por cento nesta terça-feira e era negociado a 2,81 reais pela primeira vez em mais de dez anos, refletindo o estresse do mercado com a possibilidade de a Grécia deixar a zona do euro e com a desaceleração econômica da China.

Embora parte dos fatores que vêm pressionando a divisa norte-americana nos últimos dias tenham origem nos mercados externos, a deterioração dos fundamentos macroeconômicos brasileiros, a apreensão sobre o futuro da Petrobras e fatores técnicos garantiam que a pressão cambial fosse mais intensa aqui.

Às 12h21, o dólar subia 1,40 por cento, a 2,8162 reais na venda. Na máxima da sessão, a divisa alcançou 2,8188 reais na venda, maior nível intradia desde novembro de 2004. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro estava em torno de 500 milhões de dólares.

"As moedas emergentes têm sofrido de maneira geral, mas o cenário da economia brasileira está muito deteriorado", resumiu o operador de câmbio da corretora Correparti João Paulo de Gracia Correa.

Segundo ele, a volatilidade recente do câmbio tende a provocar saída de capitais externos. "Aquele estrangeiro que entrou aqui para ganhar juros quando o dólar estava a 2,65 reais acabou perdendo dinheiro."

Nesta sessão, as preocupações com a fraqueza da economia da China, importante parceiro comercial do Brasil e referência para investidores em mercados emergentes, foram corroboradas por dados que mostraram que a inflação ao consumidor chinês atingiu em janeiro o menor nível em cinco anos.

O número alimentou o mau humor dos investidores internacionais, que tem sido sustentado pelo temor de que o impasse entre a Grécia e seus credores force o país a sair da zona do euro, o que poderia enfraquecer ainda mais a economia global.

"Parece haver algum movimento na posição grega que ainda pode formar as bases para um acordo", escreveram analistas do Brown Brothers Harriman em relatório. "Dito isso, os credores oficiais não parecem ter aliviado suas exigências em nada."   Continuação...

 
14/11/2014. REUTERS/Gary Cameron