Dólar sobe 2% e vai a R$2,83 pela 1ª vez desde o fim de 2004

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015 18:22 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta de mais de 2 por cento nesta terça-feira, na máxima em mais de dez anos, refletindo o estresse do mercado com a possibilidade de a Grécia deixar a zona do euro e com a desaceleração econômica da China.

Embora parte dos fatores que vêm pressionando a divisa norte-americana nos últimos dias tenham origem nos mercados externos, a deterioração dos fundamentos macroeconômicos brasileiros, dúvidas sobre o futuro da Petrobras e fatores técnicos garantiram que a pressão cambial fosse mais intensa aqui.

O dólar subiu 2,12 por cento, a 2,8364 reais na venda, maior nível desde 1º de novembro de 2004, quando fechou negociado a 2,854 reais. Na máxima da sessão, a divisa alcançou 2,8398 reais. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1 bilhão de dólares.

"As moedas emergentes têm sofrido de maneira geral, mas o cenário da economia brasileira está muito deteriorado", resumiu o operador de câmbio da corretora Correparti João Paulo de Gracia Correa.

Segundo ele, a volatilidade recente do câmbio tende a provocar saída de capitais externos. "Aquele estrangeiro que entrou aqui para ganhar juros quando o dólar estava a 2,65 reais acabou perdendo dinheiro."

Nesta sessão, as preocupações com a fraqueza da economia da China, importante parceiro comercial do Brasil e referência para investidores em mercados emergentes, foram corroboradas por dados que mostraram que a inflação ao consumidor chinês atingiu em janeiro o menor nível em cinco anos.

O número alimentou o mau humor dos investidores internacionais, já afetado pelo temor de que o impasse entre a Grécia e seus credores force o país a sair da zona do euro, o que poderia enfraquecer ainda mais a economia global.

"Parece haver algum movimento na posição grega que ainda pode formar as bases para um acordo", escreveram analistas do Brown Brothers Harriman em relatório. "Dito isso, os credores oficiais não parecem ter aliviado suas exigências em nada."   Continuação...

 
Notas de 1 dólar jogadas para o alto perto de Sevilha, na Espanha. 16/11/2014  REUTERS/Marcelo Del Pozo