10 de Fevereiro de 2015 / às 19:19 / 3 anos atrás

Miriam Belchior assumirá Caixa, mas anúncio não será mais nesta 3a, dizem fontes

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - A ex-ministra do Planejamento Miriam Belchior vai ser nomeada como nova presidente da Caixa Econômica Federal no lugar de Jorge Hereda, mas o anúncio não deve mais ocorrer nesta terça-feira, disseram à Reuters três fontes do governo federal com conhecimento do assunto.

A presidente Dilma Rousseff se reuniu com Miriam na manhã desta terça para tratar da transição na Caixa, segundo três fontes do governo. Uma dessas fontes havia dito à Reuters mais cedo, sob condição de anonimato, que a nomeação da ex-ministra ocorreria ainda nesta terça. Não ficou claro de imediato o motivo da mudança nos planos do governo para o anúncio.

As três fontes, porém, informaram que a decisão sobre a troca de comando na Caixa está tomada e Miriam deve ser oficializada como presidente do banco nos próximos dias.

Na tarde desta terça-feira, Dilma também se reuniu com Hereda para tratar da sucessão.

Uma das missões da nova presidente da Caixa será preparar o banco para uma abertura de capital, ideia levantada por Dilma no fim do ano passado, mas que ela própria disse que será um "processo demorado".

A Caixa é o maior financiador habitacional do país, com cerca de 70 por cento do mercado no país.

A ERA DO CRESCIMENTO

Hereda assumiu a presidência da Caixa em março de 2011, no lugar de Maria Fernanda Ramos Coelho, na esteira do escândalo no Banco Pan (ex-Panamericano). Dois anos antes, em meio à crise financeira global, a Caixa comprara 49 por cento do capital do Panamericano. Fraudes bilionárias no Panamericano levaram à venda do controle para o BTG Pactual.

Durante o mandato de Hereda, a Caixa mais que triplicou sua carteira de crédito, chegando a 576,4 bilhões de reais em setembro passado, superando no período os rivais privados Santander Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco.

Parte desse impulso veio com a agressiva campanha adotada pelos bancos públicos, no começo de 2012, atendendo ordem do governo federal para reduzir taxas de juros e aumentar a oferta de crédito para evitar uma desaceleração da economia.

Entre os efeitos dessa campanha estão a manutenção da lucratividade em níveis inferiores aos dos maiores rivais privados. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido da Caixa foi de 17,8 por cento no terceiro trimestre de 2014, dado mais recente disponível. Itaú e Bradesco têm índices superiores a 20 por cento.

O índice de Basileia, uma das métricas mais usadas pela indústria para medir a solidez dos bancos, também é menor na Caixa.

A inadimplência medida pelo saldo de operações vencidas com mais de 90 dias está em ascensão, ao contrário dos concorrentes, embora em níveis semelhantes. Em setembro, seu índice era de 2,7 por cento, perto do maior nível em cinco anos.

Operacionalmente, a Caixa é tida por executivos de bancos rivais como incapaz de cobrir suas despesas valendo-se apenas de receitas com serviços, como é a prática de mercado. E a insistência em praticar taxas de juros abaixo da concorrência para ganhar mercado teria piorado as coisas.

A Caixa foi a única grande instituição financeira do país a criar vagas líquidas de trabalho em 2014, com 2,6 mil postos. O setor como um todo eliminou cerca de 5 mil vagas no ano passado.

Por Jeferson Ribeiro e Aluísio Alves, com reportagem adicional de Guillermo Parra-Bernal

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below