Rendimentos de títulos da Petrobras superestimam riscos, diz Credit Suisse

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015 19:12 BRST
 

Por Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - Os rendimentos dos títulos da Petrobras com vencimento de curto prazo têm superestimado o risco de um default da petroleira, dando aos investidores a chance de adquirir os papéis a preços módicos, disseram analistas do Credit Suisse Securities nesta terça-feira.

A petroleira estatal enfrenta dificuldades diante dos baixos preços internacionais do petróleo e do risco de perder seu grau de investimento em meio a uma investigação de corrupção.

Apesar dos ventos contrários, analistas liderados por Jamie Nicholson disseram em nota a clientes que os títulos da Petrobras, especialmente aqueles que vencem em 2016, oferecem “valor relativo atrativo”.

O spread com volatilidade zero (z-spread) dos títulos da Petrobras com cupom de 7,875 por cento e vencimento em março de 2019 é de 6,54 pontos percentuais, comparados aos z-spreads de 1,1 ponto e 1,8 ponto dos títulos da mexicana Pemex e da colombiana Ecopetrol, respectivamente. O z-spread é usado por analistas e investidores para encontrar discrepâncias entre os rendimentos de títulos de diferentes emissores.

O Credit Suisse ressalta que os desafios enfrentados pela Petrobras com as investigações de casos de corrupção e lavagem de dinheiro reduzem o acesso da companhia aos mercados globais de capitais. Por causa do escândalo de corrupção, os auditores externos se recusaram a certificar o balanço financeiro referente ao terceiro trimestre de 2014, colocando a empresa em risco de default técnico em 54 bilhões de dólares em bônus.

A Petrobras deve ser capaz de entregar em breve seus resultados auditados, de modo a assegurar que seu balanço esteja em conformidade com as condições estabelecidas na emissão dos títulos, disse a nota, acrescentando que se o acesso aos mercados de capitais se deteriorar, o governo vai cobrir as necessidades de financiamento da Petrobras. A possibilidade de um default técnico continua “relativamente remota”, disse Nicholson. 

Enquanto a companhia enfrenta certo risco de ter seus ratings rebaixados novamente, especialmente se o rating soberano do Brasil for reduzido, tal cenário já foi em grande medida precificado, acrescentou a analista.

Nicholson destacou que a nova diretoria da Pertrobras, liderada pelo presidente-executivo, Aldemir Bendine, "pode não ter independência suficiente e experiência no setor de petróleo para resolver os desafios da Petrobras e restaurar a credibilidade no mercado.”

O desafio de curto prazo imediato de Bendine é resolver a questão dos demonstrativos financeiros da Petrobras e restaurar a credibilidade na esteira do escândalo, disse Nicholson. Desenvolver "um plano de negócios de médio prazo crível para gerar fluxo de caixa livre positivo e refinanciar a dívida será um desafio maior", acrescentou a analista.