Braskem negocia com Petrobras novo aditivo a contrato de nafta, desiste de Comperj

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015 13:38 BRST
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - A Braskem está em conversas com a nova administração da Petrobras para um terceiro aditivo ao contrato de fornecimento de nafta para a petroquímica e desistiu de participar do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), disse o presidente da companhia, Carlos Fadigas, nesta quinta-feira.

"Parece mais factível a gente trabalhar uma solução (para o contrato de nafta) que dê tempo a essa equipe para se familiarizar com o assunto. Já fizemos dois aditivos de seis meses e essa seria uma meta realista e possível”, disse Fadigas a jornalistas, acrescentando que considera como baixa a probabilidade da empresa alcançar uma solução de longo prazo para o impasse com a estatal.

Fadigas acrescentou que a Braskem tem demandas para melhorar o aditivo do contrato, mas que o “tempo não está a nosso favor”, indicando que o preço do nafta deve ser mantido em aberto. "Está longe de ser o ideal (...), mas entendemos que dos males o menor”, acrescentou o executivo.

O contrato atual de fornecimento de nafta vence no final deste mês.

A Petrobras tem usado o nafta de suas refinarias na produção de gasolina, motivo pelo qual passou a importar o insumo para atender a Braskem, tentando repassar o custo à petroquímica.

A Braskem tem contestado a postura da estatal e Fadigas afirmou manter a posição, já que considera que os custos de importação "não são pertinentes à indústria química", que não teria condição de absorvê-los.

Atualmente, a Braskem importa 30 por cento das necessidades de nafta e, segundo Fadigas, não seria economicamente viável nem razoável para a indústria elevar esse patamar. "O setor não foi construído para operar com matéria-prima importada", disse.

Mais cedo nesta semana, a Braskem havia afirmado ao jornal Estado de S.Paulo que a produção em três polos petroquímicos poderia ser interrompida se o impasse continuasse, em um momento em que estava sem interlocutor sobre o tema por conta das mudanças na diretoria da Petrobras. Mas, agora, o cenário é diferente com o início das conversas com a nova administração da estatal, anunciada na semana passada.   Continuação...