Dólar cai 1,85% ante real após bater máximas em 10 anos nas últimas sessões

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015 17:12 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda de mais de 1,5 por cento ante o real nesta quinta-feira, dando um respiro após a escalada das últimas sessões às máximas em dez anos, diante de números fracos sobre os gastos do consumidor nos Estados Unidos, novos estímulos econômicos na Suécia e um acordo de cessar-fogo na Ucrânia.

Mas investidores ainda adotaram uma postura de cautela, tentando avaliar se a divisa encontrará forças para retomar o avanço nas próximas sessões.

A moeda norte-americana caiu 1,85 por cento, a 2,8209 reais na venda, após alcançar 2,8164 reais na mínima da sessão. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro estava em torno de 1 bilhão de dólares.

"Ninguém consegue cravar se isso é um respiro antes de mais altas ou uma acomodação", disse o analista da WinTrade Bruno Gonçalves. "O dólar tem esta característica: quando ele rasga, vai de uma vez".

Neste ano até a véspera, o dólar acumulou alta de mais de 8 por cento ante o real, atingindo as maiores cotações desde o fim de 2004. O câmbio foi pressionado não só por fatores internacionais, como os temores sobre a possibilidade de a Grécia deixar a zona do euro, mas também pelo medo de um rebaixamento da classificação de risco do Brasil devido à deterioração dos fundamentos macroeconômicos do país.

No cenário internacional, investidores voltavam suas atenções nesta sessão para a Suécia, cujo banco central anunciou corte de juros para o território negativo e novo programa de compra de títulos. Também contribuía para o ambiente de menor aversão ao risco o acordo de cessar-fogo firmado nesta manhã para dar fim aos combates no leste da Ucrânia.

"Era de se esperar que depois de tanta notícia ruim, tivéssemos pelo menos um dia de alívio", disse o operador de câmbio da corretora Intercam, Glauber Romano.

No fim da manhã, o alívio no câmbio ganhou mais um amparo após números indicarem fraqueza nos gastos do consumidor e aumento dos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos. Investidores têm se mantido atentos aos indicadores econômicos norte-americanos em busca de pistas sobre quando os juros começarão a subir na maior economia do mundo.   Continuação...