ANP exigiu aumento da produção da Petrobras na plataforma que explodiu

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 12:39 BRST
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras recebeu exigências da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para realizar estudos para aumentar a produção da plataforma Cidade de São Mateus poucos dias antes da explosão que deixou cinco trabalhadores mortos, quatro desaparecidos e 26 feridos no litoral capixaba, nesta semana.

A determinação foi uma condicionante apresentada pela ANP para a aprovação do Plano de Desenvolvimento dos campos de Camarupim e Camarupim Norte, onde está lotada a plataforma, operada pela norueguesa BW Offshore a serviço da Petrobras.

Segundo ata de reunião de diretoria da autarquia, realizada na quarta-feira da semana passada, a Petrobras deve apresentar estudos para redução da capacidade ociosa da Cidade de São Mateus até janeiro de 2016.

Procurada, a Petrobras não respondeu imediatamente questionamentos da reportagem sobre a determinação da ANP, apenas frisou por meio de sua assessoria de imprensa que a plataforma não pertence à Petrobras, apenas está a seu serviço.

Além de incluir informações para perfuração e interligação de um novo poço produtor no reservatório, os estudos pedidos pela agência reguladora também devem incluir avaliações para a interligação de novo poço produtor no campo de Golfinho, vizinho dos dois campos.

A FPSO Cidade de São Mateus, que armazena e produz petróleo e gás, operava a cerca de 40 km da costa, segundo a ANP, produzindo cerca de 2,25 milhões de metros cúbicos por dia de gás, principal produto da área, e mais 350 metros cúbicos de petróleo por dia.

A produção de petróleo da unidade era equivalente a menos de 10 por cento de sua capacidade de extração, e a de gás natural estava um quarto menor que sua capacidade.

Mesmo assim, a produção de gás natural ainda era relevante, de aproximadamente 3 por cento da produção total da Petrobras no Brasil em dezembro, que atingiu ao todo naquele mês 73,5 milhões de metros cúbicos/dia.   Continuação...

 
Comboio de carros, um contendo corpos das vítimas da explosão na FPSO Cidade de São Mateus. 12/02/2015 REUTERS/Gabriel Lordello