Autoridade do BCE alertou para riscos de adiar impressão de dinheiro, mostra ata

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015 11:40 BRST
 

Por Marc Jones

FRANKFURT (Reuters) - O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE) alertou os membros do BCE sobre os perigos de adiar a impressão de dinheiro, segundo a ata da reunião de janeiro do banco que jogou uma luz sobre como as autoridades concordaram "amplamente" em adotar o esquema.

Falando na reunião de 22 de janeiro do Conselho do BCE, que define a política monetária, Peter Praet abordou os riscos de aguardar para lançar um esquema de impressão de dinheiro novo para a compra de títulos governamentais, programa de estímulo conhecido como "quantitative easing".

A apresentação de Praet e a discussão na sequência convenceram a maioria dos presentes sobre a necessidade de agir imediatamente, embora alguns tenham argumentado que tal passo só deve ser tomado em "situações contingenciais".

No documento, que oferece a visão mais clara até agora sobre como as autoridades decidiram lançar o esquema, foi relatado que Praet disse na reunião: "Também deve-se levar devidamente em conta os riscos de não agir na presente reunião, que podem ser maiores que os riscos de agir".

"Uma reversão dos recentes acontecimentos no mercado financeiro pode ser esperada se não forem anunciadas mais medidas de política monetária", escreveram autoridades no registro da reunião.

"O impacto positivo associado ... pode ser desfeito e um nível maior de volatilidade ou instabilidade nos mercados financeiros poderia criar riscos adicionais".

No fim, a maioria estava de acordo. "Houve uma visão amplamente compartilhada de que as condições existiam para a tomada de medidas de política monetária adicionais na presente reunião", acrescentaram.

Essa é a primeira vez que o BCE publica os detalhes de suas discussões, ficando mais em linha com outros grandes bancos centrais como o norte-americano Federal Reserve, o Banco da Inglaterra e o banco central japonês.

O exercício é, no entanto, sensível. Como resultado, nenhum dos 19 presidentes de bancos centrais que participaram são identificáveis.

(Por Marc Jones)