20 de Fevereiro de 2015 / às 13:13 / 3 anos atrás

Alemanha suaviza tom sobre Grécia antes de reunião crucial

BERLIM (Reuters) - O governo alemão suavizou seu tom sobre a Grécia um dia depois que seu ministro das Finanças rejeitou firmemente o mais recente pedido de Atenas para uma extensão do resgate, dizendo que embora as propostas precisem de alterações elas são uma boa base para mais negociações.

Bandeira da Grécia tremula perto de estátua da deusa antiga Atena, no centro de Atenas. 10/02/2015 REUTERS/Yannis Behrakis

O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaeuble, surpreendeu seus parceiros europeus e colegas do Gabinete da Alemanha na quinta-feira ao rejeitar uma carta de sua contraparte grega, classificando-a como uma tentativa dissimulada de conquistar mais ajuda sem se comprometer com metas acertadas de reformas e de orçamento.

No entanto, antes da reunião crucial de ministros da zona do euro em Bruxelas nesta sexta-feira, a chanceler Angela Merkel se distanciou, através de uma porta-voz, do tom combativo usado por Schaeuble --ao mesmo tempo em que elogiava seu ministro e descrevia o governo como completamente unido.

“A carta do ministro grego das Finanças deixa claro que a Grécia continua interessada no apoio da União Europeia”, disse a porta-voz Christiane Wirtz. “Essa carta é um bom sinal que nos permite continuar a negociar”.

Ela acrescentou que a reunião dos ministros das Finanças da zona do euro em Bruxelas nesta sexta-feira vai “continuar a negociar nesta base” e que as conversas vão “com alguma esperança levar a um acordo com a Grécia”.

Questionada se Merkel apoiava Schaeuble, um conservador veterano de 72 anos que tem mais liberdade que outros ministros para dizer o que pensa, Wirtz disse que Schaeuble está fazendo um “excelente trabalho nesta crise e nas negociações com a Grécia”.

A rejeição direta de Schaeuble das propostas do ministro grego das Finanças Yanis Varoufakis salienta a desconfiança entre Berlim e Atenas, que se desenvolveu desde que o esquerdista Alexis Tsipras venceu uma eleição no mês passado prometendo voltar atrás em medidas de austeridade defendidas por Berlim e por seus aliados da zona do euro.

Isso levou Tsipras a ligar para Merkel no fim da quinta-feira. Eles conversaram por quase uma hora e, embora o governo alemão tenha se negado a dar detalhes sobre a conversa, Wirtz disse que Berlim não discute a descrição de Tsipras para a conversa --que a chamou de construtiva.

O programa de resgate atual da Grécia vence no fim deste mês. Se até lá o país não conseguir uma extensão, especialistas temem que uma aceleração dos fluxos de saída de capital irá golpear os bancos gregos, levando a uma saída da zona do euro, algo sem precedentes.

A revista alemã Der Spiegel publicou nesta sexta-feira que autoridades do Banco Central Europeu (BCE) começaram a preparar planos de contigência para a saída da Grécia da zona do euro.

Embora Schaeuble tenha deixado claro que acredita que a zona do euro pode aguentar tal consequência, Merkel e os parceiros europeus da Alemanha podem estar mais relutantes em assumir esse risco.

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