ENFOQUE-Governo dá primeiros sinais de preocupação com abastecimento de energia

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015 16:12 BRST
 

Por Anna Flávia Rochas e Leonardo Goy

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - Embora o governo não admita a necessidade de racionamento de energia enquanto espera o comportamento das chuvas até abril, medidas adotadas recentemente para economizar energia sinalizam preocupação com o risco de faltar eletricidade, num cenário similar ao ocorrido antes do racionamento de 2001.

A diferença principal, na avaliação de especialistas, é que o governo está demorando para iniciar uma ampla campanha de redução do consumo, o que deveria ter ocorrido já no ano passado.

O baixíssimo nível das represas em pleno período úmido é ainda pior que o registrado antes do racionamento de 2001. Por outro lado, naquela época não havia tantas termelétricas disponíveis para reforçar a geração de energia e o intercâmbio de eletricidade entre as regiões do país, por meio do sistema de transmissão, era menor.

Especialistas avaliam, porém, que as térmicas estão acionadas por um período muito maior que o planejado inicialmente e podem não dar conta de suprir a demanda ao longo do ano sem racionamento, na falta das hidrelétricas, caso as chuvas não fiquem muito acima da média até abril.

O ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e secretário de Energia do Ministério de Minas e Energia na época do racionamento, Afonso Henriques Moreira Santos, considera inclusive que deveriam ter sido construídas mais térmicas além do que foi construído após o racionamento de 2001.

PRIMEIROS PASSOS

Apenas recentemente o governo federal começou a falar em ações de eficiência energética para economizar energia.   Continuação...