ANÁLISE-Ativos brasileiros mostram rebaixamento que não deve acontecer

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015 16:20 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - Os ativos financeiros brasileiros têm sido negociados a preços que sugerem que o país caminha para perder seu cobiçado grau de investimento neste ano, mas poucos analistas acreditam que esse cenário deve se concretizar, o que abre espaço para uma correção nos mercados no futuro.

Segundo gestores, economistas e estrategistas consultados pela Reuters, os esforços da equipe econômica chefiada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para limpar as contas públicas devem servir de escudo para o Brasil frente às agências de classificação de risco.

Atualmente, o Brasil é classificado em "BBB-" pela Standard & Poor's, com perspectiva estável, o que significa que o país precisaria ser rebaixado em apenas um degrau para perder seu grau de investimento. Já a Moody's e a Fitch classificam o país em "Baa2" (perspectiva negativa) e "BBB" (perspectiva estável), respectivamente, dois degraus acima do grau especulativo.

Apesar de o país ainda ser considerado "grau de investimento", os ativos brasileiros têm sido negociados a preços mais condizentes com classificações mais baixas.

O diferencial entre os rendimentos de títulos brasileiros em moeda estrangeira e os papéis do Tesouro dos Estados Unidos estava em 279 pontos básicos, segundo o índice EMBI Global do JPMorgan. O número supera o spread de 200 pontos básicos para a Guatemala e 275 pontos para o Paraguai, ambos classificados em "BB" pela S&P. Já o dado para a Colômbia, que tem rating "BBB" pela S&P, marcava 204 pontos básicos.

Segundo analistas, a disparidade reflete um pacote de más notícias, começando pela deterioração dos fundamentos macroeconômicos brasileiros nos últimos anos, passando pelo escândalo bilionário de corrupção na Petrobras e chegando à crescente resistência política ao ajuste fiscal.

"Basicamente, todas as notícias ruins estão no preço", disse o gestor sênior da Aberdeen Asset Management em Londres Viktor Szabo, que ajuda a administrar mais de 12 bilhões de dólares aplicados em mercados emergentes.

Mas "contanto que Levy continue na Fazenda, é altamente improvável que haja um 'downgrade'. Essa é única graça salvadora do Brasil", acrescentou ele, que disse estar "bastante" exposto ao mercado brasileiro.   Continuação...

 
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