Dólar tem leves variações, após superar R$2,90 pela 1ª vez em dez anos

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015 12:20 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Após superar 2,90 reais pela primeira vez em mais de dez anos mais cedo, o dólar alternava entre leves altas e baixas nesta segunda-feira, puxado para cima por preocupações com a Grécia e com a economia brasileira e para baixo pela ação de exportadores e operações de realização de lucros.

Às 12h06, a moeda norte-americana recuava 0,03 por cento, a 2,8751 reais na venda, avançando pela quinta sessão consecutiva. Na máxima da sessão, a divisa chegou a 2,9046 reais e, na mínima, a 2,8715 reais. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro estava em torno de 90 milhão de dólares.

"Sempre que o dólar dá uma espichada como essa, é normal que haja alguns respiros no meio do caminho", disse o operador de câmbio da corretora Intercam Glauber Romano.

Os mercados financeiros globais têm sido pressionados por preocupações com a possibilidade de os desentendimentos entre a Grécia e seus parceiros europeus levarem à saída de Atenas da zona do euro, em mais um golpe à frágil recuperação econômica global.

Na sexta-feira, ministros das Finanças do bloco monetário chegaram a um acordo para estender o programa de resgate à Grécia por quatro meses, mas o país ainda precisa apresentar uma lista de reformas nesta segunda-feira, que deve ser aprovada por seus credores para ratificar o compromisso.

"A Grécia precisa correr para assegurar o acordo. Até lá, o clima vai continuar pesado", disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno. Nesse quadro, o dólar apreciava-se contra moedas como o euro e os pesos chileno e mexicano.

Investidores também vêm mostrando preocupação com a deterioração dos fundamentos macroeconômicos do Brasil e, por isso, diminuído o ritmo de compras de ativos denominados em real. Economistas consultados pelo Banco Central em sua pesquisa Focus diminuíram novamente suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, projetando contração de 0,50 por cento, ante 0,42 por cento na semana anterior.

Por fim, as atenções voltavam-se ainda para a política monetária norte-americana. Na semana passada, a ata da última reunião do Federal Reserve chegou a trazer alívio ao câmbio, sugerindo que o banco central dos EUA poderia não dar início ao aperto monetário em junho, mas parte do mercado interpretou que o documento estava defasado por não refletir os mais recentes indicadores econômicos.

Na terça-feira, a chair do Fed, Janet Yellen, falará a um comitê do Senado, em um pronunciamento que pode trazer mais clareza sobre as perspectivas para o aumento de juros na maior economia do mundo, que poderia atrair para fora do Brasil recursos externos.   Continuação...

 
14/11/2014. REUTERS/Gary Cameron