Cortes de energia caem em janeiro no Brasil, mas carga interrompida cresce 76%

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015 20:42 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O número de episódios de interrupção relevante no fornecimento de eletricidade no Brasil caiu em janeiro sobre o mesmo mês do ano passado, mas o montante de carga cortada saltou cerca de 76 por cento, segundo dados divulgados pelo Ministério de Minas e Energia, nesta segunda-feira.

O Brasil teve sete cortes no fornecimento de energia em janeiro, considerando apenas casos em que a interrupção foi de pelo menos 10 minutos e envolvendo carga a partir de 100 megawatts, ante 15 episódios no mesmo período de 2014.

Porém, o total de carga interrompida chegou a 6.136 megawatts ante 3.488 em janeiro do ano passado.

Os cortes de janeiro incluem o apagão orquestrado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) em 19 de janeiro e que envolveu cerca de 4.453 MW. O apagão deste dia ocorreu em pelo menos 10 Estados diante de "perda de geração em algumas usinas" do Sistema Interligado Nacional (SIN)", além de problemas de transmissão de eletricidade da região Norte para o Sudeste do país..

Especialistas do setor que têm sido consultados pela Reuters apontam que o sistema elétrico brasileiro está operando no limite, com praticamente todas as termelétricas acionadas para ajudar a preservar os reservatórios das hidrelétricas. As represas estão em níveis baixos recordes e seguem em queda num período em que deveriam encher.

Recentemente, o governo federal lançou primeiras medidas para tentar reduzir a demanda por energia do país, algo que foi interpretado por analistas do setor como preocupação sobre risco de faltar eletricidade, num cenário similar ao ocorrido antes do racionamento de 2001.

Segundo o boletim do ministério, a capacidade própria instalada total de geração de energia elétrica do Brasil atingiu 134.008 MW no mês passado. "Em comparação com o mesmo mês em 2014, houve expansão de 3.277 MW de geração de fontes hidráulicas, de 1.429 MW de fontes térmicas e de 2.729 MW de geração eólica", afirmou o MME.

(Por Alberto Alerigi Jr., edição de Luciana Bruno)