Grécia faz mais concessões à zona do euro; Alemanha se prepara para votar

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015 10:20 BRT
 

Por Matthias Sobolewski e Jan Strupczewski

BERLIM/BRUXELAS (Reuters) - O novo governo da Grécia cedeu mais ainda aos credores da zona do euro em seus planos de suspender privatizações, aumentar benefícios sociais e elevar o salário mínimo, levando os mercados se reanimarem diante da perspectiva de uma prorrogação de quatro meses do programa de resgate financeiro do país.

Uma carta enviada ao presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, na segunda-feira à noite estabeleceu em termos gerais as medidas que o governo grego pretende implementar até julho e dá garantias de que não vai se desviar das metas fiscais ou reverter reformas anteriores.

Fundamentalmente, o governo prometeu não reverter as privatizações em andamento ou concluídas, e garantiu que a luta contra o que o governo chama de crise humanitária do país "não tem efeitos fiscais negativos".

O documento de seis páginas com uma nota do ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, na capa –-visto pela Reuters--, contém poucas cifras, mas promete melhorar a arrecadação de impostos, combater a corrupção e "revisar e controlar as despesas em todas as áreas de gastos do governo".

Depois que peritos da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional fizerem uma avaliação prévia do documento, os ministros das Finanças da zona euro vão realizar uma teleconferência por telefone às 10h (horário de Brasília) para finalizar a extensão de quatro meses.

Os mercados financeiros gregos, que reabriram pela primeira vez desde o acordo inicial, na sexta-feira, entre Varoufakis e os ministros das Finanças da zona euro, reagiram com uma alta nos papéis em razão do alívio pelo fato de o país ter sido tirado da beira de um potencial colapso bancário e possível falência do Estado.

Os rendimentos de títulos do governo caíram 3 pontos percentuais e as ações atingiram máxima de dois meses e meio, apesar de permanecer incerta a sobrevivência do país a longo prazo dentro da zona da moeda única de 19 nações.

Dijsselbloem, que também é ministro das Finanças da Holanda, disse ao Parlamento Europeu que a lista grega de reformas é apenas um primeiro passo e levará tempo para entrar em detalhes.   Continuação...

 
Bandeiras desgastadas da UE e da Grécia em cima do Ministério das Finanças da Grécia, em Atenas. 24/02/2015 REUTERS/Yannis Behrakis