24 de Fevereiro de 2015 / às 13:02 / 2 anos atrás

Grécia faz mais concessões à zona do euro; Alemanha se prepara para votar

Bandeiras desgastadas da UE e da Grécia em cima do Ministério das Finanças da Grécia, em Atenas. 24/02/2015Yannis Behrakis

BERLIM/BRUXELAS (Reuters) - O novo governo da Grécia cedeu mais ainda aos credores da zona do euro em seus planos de suspender privatizações, aumentar benefícios sociais e elevar o salário mínimo, levando os mercados se reanimarem diante da perspectiva de uma prorrogação de quatro meses do programa de resgate financeiro do país.

Uma carta enviada ao presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, na segunda-feira à noite estabeleceu em termos gerais as medidas que o governo grego pretende implementar até julho e dá garantias de que não vai se desviar das metas fiscais ou reverter reformas anteriores.

Fundamentalmente, o governo prometeu não reverter as privatizações em andamento ou concluídas, e garantiu que a luta contra o que o governo chama de crise humanitária do país "não tem efeitos fiscais negativos".

O documento de seis páginas com uma nota do ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, na capa –-visto pela Reuters--, contém poucas cifras, mas promete melhorar a arrecadação de impostos, combater a corrupção e "revisar e controlar as despesas em todas as áreas de gastos do governo".

Depois que peritos da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional fizerem uma avaliação prévia do documento, os ministros das Finanças da zona euro vão realizar uma teleconferência por telefone às 10h (horário de Brasília) para finalizar a extensão de quatro meses.

Os mercados financeiros gregos, que reabriram pela primeira vez desde o acordo inicial, na sexta-feira, entre Varoufakis e os ministros das Finanças da zona euro, reagiram com uma alta nos papéis em razão do alívio pelo fato de o país ter sido tirado da beira de um potencial colapso bancário e possível falência do Estado.

Os rendimentos de títulos do governo caíram 3 pontos percentuais e as ações atingiram máxima de dois meses e meio, apesar de permanecer incerta a sobrevivência do país a longo prazo dentro da zona da moeda única de 19 nações.

Dijsselbloem, que também é ministro das Finanças da Holanda, disse ao Parlamento Europeu que a lista grega de reformas é apenas um primeiro passo e levará tempo para entrar em detalhes.

"Acho que eles estão muito sérios (sobre as reformas)", disse ele. "Mas não vai ser fácil. Este é apenas um primeiro passo ... Vai levar tempo para realmente entrar em detalhes e formatar um novo contrato ou acordo que irá nos tomar quatro meses."

Ele indicou com ênfase que a Grécia, que teve dois resgates no total de 240 bilhões de euros desde 2010, precisará de um novo programa de ajuda quando esse prazo expirar, dizendo: "Acho que nós precisamos considerar mais apoio para a Grécia."

A zona do euro poderia estudar novas medidas de alívio da dívida se a Grécia cumprir todos os critérios especificados no seu segundo pacote de resgate, de novembro de 2010, "o que ainda não aconteceu", disse ele.

A saída da Grécia da zona do euro não foi discutida e a questão não está na mesa, afirmou Dijsselbloem, acrescentando que o único governo que havia realizado uma reunião para se preparar para uma possível saída grega foi o da Grã-Bretanha, país que não adota a moeda única.

Na Alemanha, é o principal financiador da União Europeia, o ministro das Finanças, Wolfgang Schaeuble, que assumiu a linha mais dura nas negociações com o governo grego, escreveu ao presidente da Câmara Baixa do Parlamento solicitando uma votação esta semana sobre a prorrogação do resgate.

"Se a Grécia admite suas obrigações e se houver um acordo no Eurogrupo (que reúne os ministros das Finanças), o governo alemão seria a favor da proposta de prorrogação", escreveu ele, de acordo com o jornal de negócios Handelsblatt.

A rejeição inicial da Alemanha ao pedido da Grécia de prorrogação do empréstimo por quatro meses, na semana passada, forçou o governo grego a fazer várias concessões politicamente sensíveis, adiando ou se distanciando de suas promessas de campanha para reverter medidas de austeridade, desfazer-se do programa de resgate e romper a cooperação com a "troika" formada pela UE, BCE e inspetores do FMI.

Embora o esquerdista primeiro-ministro Alexis Tsipras tenha conseguido amplo apoio em sua coalizão para o acordo em Bruxelas, alguns esquerdistas radicais o criticaram e a oposição conservadora têm ironizado o governo por seus recuos.

Reportagem adicional de Deepa Babington em Atenas, Adrian Croft em Bruxelas, Erik Kirschbaum em Berlim, John Geddie em Londres e Aija Krutaine em Riga

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