Colheita de soja no norte de MT tem paralisações devido a protestos

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015 14:19 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SINOP (Reuters) - A colheita de soja em diversas fazendas do norte de Mato Grosso está sendo paralisada nesta terça-feira, em um momento que seria de trabalhos intensos, devido à falta de diesel para abastecer o maquinário, em uma das consequências mais visíveis dos bloqueios nas estradas do Estado.

Há risco de perdas de parte da safra em função da paralisação dos trabalhos no campo, já que as chuvas previstas para o fim da semana poderão estragar os grãos maduros que restarem nas lavouras.

Os protestos de caminhoneiros nas rodovias por menores custos nos transportes restringem o fluxo de combustíveis no Estado e de outras mercadorias, incluindo o da própria soja para os portos exportadores.

O Mato Grosso é o maior produtor de grãos do Brasil, que só perde para os Estados Unidos na produção global da oleaginosa. Os contratos futuros da soja subiam mais de 2 por cento na bolsa de Chicago, referência internacional para os preços da commodity, com operadores citando os problemas no Brasil.

"Podemos perder parte da colheita... Sem diesel não se faz nada em propriedade nenhuma", disse nesta terça-feira o presidente do Sindicato Rural de Sinop, Antônio Galvan, que já recebeu relatos de paralisação em diversas lavouras na região.

A região do médio-norte concentra cerca de um terço da produção de soja de Mato Grosso, principal produtor de grãos do país.

A BR-163, alvo dos protestos, responde por 70 por cento do escoamento da produção agrícola de Mato Grosso. A rodovia também é a única rota de abastecimento de diesel e outros insumos para os municípios da região.

O trânsito de veículos de carga está totalmente interrompido desde o final de semana em diversos pontos da estrada por empresários do setor de transporte e caminhoneiros que reclamam do alto preço dos combustíveis e do baixo preço recebido pelo frete.   Continuação...

 
Caminhoneiros bloqueiam parte da BR-116 em Curitiba. 23/02/2015 REUTERS/Rododlfo Burher