Fies soma 40% matrículas em instituições privadas em 2014, ante meta do governo de 15%

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015 12:40 BRT
 

Por Marcela Ayres

SÃO PAULO (Reuters) - Os contratos do Fies em 2014 saltaram em relação às matrículas totais em instituições privadas de ensino superior, indicando os desafios do governo federal para lidar com o programa de financiamento estudantil subsidiado no momento em que tenta arrumar as contas públicas.

A taxa de utilização do Fies por alunos matriculados ficou em 39,27 por cento no ano passado, ante meta do governo de 15 por cento para 2014, conforme dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) divulgados nesta terça-feira. O avanço também contrasta com a meta de utilização que o FNDE traçou para o Fies em 2015, de 20 por cento.

Procurado pela Reuters, o FNDE, que é o agente operador do programa, não comentou os números.

Embora o governo projetasse maior relevância do Fies no financiamento do ensino superior privado, o acelerado ritmo de adesão ao programa passou a representar maior sacrifício para que bancasse a conta em meio à deterioração fiscal.

A taxa efetiva de juro do Fies é de 3,4 por cento ao ano para todos os cursos, enquanto a taxa básica de juro Selic atualmente é de 12,25 por cento. Assim, mesmo que o aluno quite integralmente o empréstimo obtido para se formar, o governo federal arcará com o hiato entre o juro que pagou para levantar recursos para o programa e o que cobrou do estudante.

No fim do ano passado, o governo anunciou uma série de mudanças nas regras do Fies, instituindo, entre outras medidas, que os candidatos ao programa deverão tirar nota mínima de 450 pontos no Enem de um total de 1 mil, também não podendo zerar na prova de Redação.

Para as mensalidades de faculdades que podem participar do Fies, o Ministério da Educação (MEC) determinou reajuste máximo de 6,4 por cento, correspondente à inflação medida pelo IPCA no ano passado.

Já para o cronograma de pagamentos às instituições, o MEC delimitou na segunda-feira que a diminuição do repasse para 8 meses por ano ante 12 meses anteriormente valerá apenas para 2015.   Continuação...