Moody's corta ratings da Petrobras para grau especulativo

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015 22:34 BRT
 

(Reuters) - A agência de classificação de risco Moody's rebaixou os ratings da Petrobras para grau especulativo por conta das investigações sobre corrupção e pressões de liquidez que podem resultar do atraso da divulgação das demonstrações financeiras auditadas, colocando ainda mais peso sobre a estatal que vive sua maior crise.

O rating da dívida em moeda estrangeira da Petrobras foi rebaixado em dois degraus, passando de Baa3, que é a última nota da escala da Moody's considerada grau de investimento, para Ba2. Além disso, a Moody's manteve a classificação da estatal em revisão para novo rebaixamento. Foi o segundo rebaixamento da Petrobras pela Moody's neste ano.

A petroleira estatal está no centro de um escândalo bilionário de corrupção, revelado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, e considerado o maior da história do Brasil, envolvendo ex-funcionários, executivos de empreiteiras e políticos.

A perda do grau de investimento deve afastar ainda mais investidores de ativos da petroleira, apesar da estatal ainda manter o grau de investimento pelas agências Fitch e Standard and Poor's.

Em nota, a Petrobras disse que não tem a obrigação de quitar antecipadamente sua dívida por conta do rebaixamento ou perda do grau de investimento, que é uma das possibilidades caso a empresa atrase ainda mais a divulgação de seu resultado auditado do quarto trimestre.

"A Petrobras não possui covenants (obrigação de fazer) relacionados ao rebaixamento de rating por parte das agências classificadoras de risco ou relacionados à rating abaixo da classificação grau de investimento”, disse a estatal em nota.

Além da pressão de liquidez no curto prazo, a Moody's disse que o rebaixamento reflete a sua visão de que a empresa pode levar mais tempo do que o esperado anteriormente para reduzir a sua alavancagem, condição necessária para a melhora substancial do perfil financeiro da estatal.

A agência também afirmou que não percebeu "progresso substantivo" que poderia reduzir significativamente as preocupações com a possibilidade de a Petrobras ter que pagar antecipadamente sua dívida.

A Moody's "ainda não vê nenhuma garantia concreta de que as demonstrações auditadas estarão disponíveis em qualquer data específica".   Continuação...

 
Logo da Petrobras refletido na janela do prédio da estatal em São Paulo. 06/02/2015 REUTERS/Paulo Whitaker