Grécia não vai completar privatizações no setor de energia, diz ministro

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015 10:23 BRT
 

Por Angeliki Koutantou e Costas Pitas

ATENAS (Reuters) - A Grécia não vai avançar com a privatização da sua principal companhia de eletricidade, a PPC (DEHr.AT: Cotações), e da operadora da distribuição de energia elétrica Admie, disse o ministro da Energia grego, Panagiotis Lafazanis, apesar de prometer a seus credores não interromper o processo de licitação em curso.

Os comentários de Lafazanis parecem marcar o primeiro sinal de dissidência aberta de um ministro do flanco mais à esquerda do novo governo grego sobre o acordo com a zona euro para estender o programa de resgate do país.

A Corporação Pública de Energia (PPC) já abriu uma licitação para vender uma participação de 66 por cento em sua rede elétrica operada pela Admie, e vários investidores, incluindo a Corporação Estatal da Rede Elétrica da China (SGCC) e a operadora italiana de energia Terna foram selecionadas como possíveis compradoras.

"A licitação para a venda da Admie não vai seguir em frente", disse o ministro ao jornal Ethnos Lafazanis, em comentários publicados nesta quarta-feira. "As empresas não apresentaram propostas vinculantes, por isso, não será concluída. Esse é também o caso da PPC."

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, que tem a responsabilidade final pela privatização, disse que a lei grega permite que o governo altere os termos de vendas que estão em andamento, além de examinar a sua legalidade.

Ele afirmou que o governo não iria cancelar as vendas de patrimônio do Estado já concluídas, mas também não vai vender barato os seus ativos. “Nós não queremos vender a prata da casa do Estado grego a preços insultuosamente baixos", declarou Varoufakis à emissora Real FM.

O governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras teve de fazer concessões para firmar um acordo na sexta-feira com a zona do euro para a prorrogação do programa de resgate financeiro do país por mais quatro meses.

O pacto incluiu um compromisso de Atenas sobre as privatizações, como parte de uma lista de reformas que os ministros das Finanças da zona euro aprovaram na terça-feira. O original em inglês da lista diz que o governo vai respeitar o processo de licitação já iniciado ao passo que a tradução grega, divulgada por um funcionário do governo, fala em respeitar o procedimento “onde o processo de apresentar propostas já tiver começado".   Continuação...