Dólar sobe mais de 1,5% ante real após Moody's rebaixar Petrobras

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015 12:23 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar avançava mais de 1,5 por cento ante o real nesta quarta-feira, após a agência de classificação de risco Moody's rebaixar a Petrobras ao grau especulativo, diminuindo ainda mais a atratividade de ativos brasileiros e piorando a perspectiva de recuperação econômica do país.

Com isso, a divisa recuperava todo o terreno perdido na sessão passada, quando o mercado reagiu à falta de uma sinalização mais contundente sobre uma alta de juros nos Estados Unidos no discurso da chair do Federal Reserve, Janet Yellen. Nesta quarta-feira, Yellen participa de sessão de um comitê da Câmara dos Deputados norte-americana.

Às 12h17, a moeda norte-americana subia 1,74 por cento, a 2,882 reais na venda, após cair mais de 1,5 por cento na véspera. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro estava em torno de 330 milhões de dólares.

Na noite passada, a Moody's rebaixou os ratings da Petrobras para "Ba2", contra "Baa3", citando investigações sobre corrupção e pressões de liquidez que podem resultar do atraso da divulgação das demonstrações financeiras auditadas. Além disso, a agência manteve a classificação da estatal em revisão para novo rebaixamento.

"O rebaixamento deve intensificar as recentes turbulências nos mercados financeiros brasileiros", escreveram analistas do banco BBVA em relatório.

Segundo estimativas do banco Barclays, que passou a projetar contração de 1,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, a redução dos investimentos da petroleira devido ao escândalo deve subtrair 0,5 ponto percentual do crescimento da economia brasileira em 2015.

Investidores aguardavam agora a participação de Yellen, do Fed, na sessão do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados, às 12h (horário de Brasília).

Na véspera, ela afirmou que o banco central norte-americano está se preparando para começar a debater "de reunião para reunião" a possibilidade de aumentar os juros, mas que descartar a expressão "paciente" de seu comunicado não significará necessariamente que o aperto monetário terá início em duas reuniões.

Nesta manhã, o BC brasileiro vendeu a oferta total de até 2 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, pelas atuações diárias. Foram vendidos 500 contratos para 1º de dezembro de 2015 e 1.500 para 1º de fevereiro de 2016, com volume correspondente a 97,9 milhões de dólares.

O BC também vendeu a oferta integral de até 13 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em 2 de março, equivalentes a 10,438 bilhões de dólares. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 91 por cento do lote total.