PT defende taxar ricos e PMDB quer cortes na máquina em nova fase de ajuste

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015 20:33 BRT
 

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA (Reuters) - As medidas propostas até agora pelo governo para fazer o ajuste fiscal que o país precisa não são suficientes sozinhas, como admitiram ministros do governo em reuniões com aliados nos últimos dias, mas no Congresso PT e PMDB se dividem sobre qual melhor caminho para melhorar as contas do governo.

Nas reuniões com ministros nessa semana, petistas têm defendido um aumento de receita por meio da taxações de grandes fortunas, heranças e investimentos classificados de especulativos. Já os peemedebistas querem que o governo faça a lição de casa, cortando gastos públicos e até mesmo congelando nomeações para cargos de confiança.

Nessa quarta-feira, durante uma reunião com senadores aliados, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse que novas medidas de ajustes estão sendo preparadas e que atingirão o "andar de cima" da sociedade, contou à Reuters a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que acredita ser necessário adotar o aumento da taxação para os mais ricos como compensação.

Barbosa não deu nenhum detalhe do que está sendo preparado pelo governo.

No PT, há muita pressão para que os ajustes se deem também pelo aumento de receita, principalmente pela taxação de grandes fortunas e de capitais especulativos, uma bandeira antiga da legenda.

Essa seria uma forma de compensar as medidas provisórias editadas pelo governo no final do ano passado e que restringem o acesso a benefícios como seguro-desemprego, abono salarial e pensões por morte. Essas mudanças podem gerar uma economia anual de até 18 bilhões de reais para o governo e sua aprovação seria o primeiro grande teste para a nova política fiscal da presidente Dilma Rousseff.

Já há consenso entre os aliados, porém, que as MPs não serão aprovadas na forma original e passarão por ajustes no Congresso.

"Há um consenso (entre os aliados) de que houve má construção política do discurso para as medidas, que as mudanças foram mal comunicadas e que será necessário flexibilizar a proposta original", disse à Reuters um senador petista nesta quarta, sob condição de anonimato.   Continuação...

 
Senador Renan Calheiros durante cerimônia de posse no Senado em Brasília. 01/02/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino