Desemprego sobe a 5,3% em janeiro, maior nível em mais de um ano

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015 11:52 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - O desemprego subiu a 5,3 por cento janeiro, deixando para trás a mínima histórica ao atingir o maior nível em mais de um ano devido a demissões e maior procura por vagas, aumentando a pressão sobre o governo da presidente Dilma Rousseff no início de num ano difícil para a economia.

O resultado de janeiro da taxa apontada pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou 1 ponto percentual acima da de dezembro, quando o desemprego igualou o menor nível histórico.

Esse é o maior nível desde setembro de 2013, quando o desemprego atingiu 5,4 por cento. Também ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters de 5,0 por cento na mediana de 25 projeções.

"O que sobressaiu em janeiro foi o aumento da procura por trabalho. São pessoas que estavam ocupadas que foram demitidas e pessoas que não estavam procurando e passam a buscar uma oportunidade", avaliou a coordenadora da pesquisa no IBGE, Adriana Berenguy.

Esse aumento da procura por trabalho e das demissões acontece no momento em que a economia passa por um período de fragilidade, com inflação alta, juros elevados e perspectiva de contração da atividade neste ano.

No ano passado, o Brasil criou menos de 400 mil postos de trabalho com carteira assinada, pior desempenho em 12 anos e com fortes demissões na indústria e na construção civil.

O aumento da procura por vagas fica claro na disparada em janeiro de 22,5 por cento da população desocupada, que são as pessoas sem trabalhar mas à procura de uma oportunidade, na comparação mensal, maior alta para o mês desde o início da série em 2003. Esse grupo ainda avançou 10,7 por cento na base anual, atingindo 1,288 milhão de pessoas.

Ao mesmo tempo, a população ocupada diminuiu 0,9 por cento sobre dezembro e recuou 0,5 por cento ante o mesmo período do ano anterior, chegando a 23,004 milhões de pessoas, sinalizando fechamento de vagas.   Continuação...

 
Promotor de emprego indica uma lista de vagas numa rua no centro de São Paulo. 13/08/2014 REUTERS/Paulo Whitaker