Ambev não vê economia afetando volumes, mas vê desaceleração da receita em 2015

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015 16:26 BRT
 

Por Marcela Ayres

SÃO PAULO (Reuters) - A gigante de bebidas Ambev não vê o cenário macroeconômico afetando fundamentalmente seus volumes de vendas neste ano, embora preveja um crescimento mais tímido da receita no Brasil, já não contando com a ajuda da Copa do Mundo.

"Quando a gente começa o ano e olha para 2015, o nosso maior desafio na verdade é a base de comparação", afirmou o diretor financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Nelson Jamel, acrescentando que a Copa gerou "crescimento extraordinário" em 2014.

Em teleconferência com jornalistas, ele ecoou comentários feitos mais cedo pelo diretor-geral da Ambev, Bernardo Paiva, de que o ambiente macroeconômico não afetaria a dinâmica de volumes vendidos pela companhia, pois esse cenário já vinha se desenhando desde o segundo semestre do ano passado.

"A desaceleração mais atrelada à questão da renda, da economia, a gente já vem trabalhando e lidando com ela desde julho", afirmou Jamel.

"O nosso setor acaba sendo um pouquinho menos volátil que a média da economia. O tíquete (de compra) é baixo, já não depende do crédito, e a gente trabalha muito na questão das embalagens retornáveis como forma de ajudar o consumidor a passar por um período mais difícil", completou o executivo.

Segundo a Ambev, após a aprovação de um novo modelo tributário para o setor, também não há expectativa de qualquer impacto material no volume para os próximos anos.

Apesar disso, a companhia projetou nesta quinta-feira alta entre um dígito médio e um dígito alto na receita líquida no Brasil em 2015, desacelerando ante o ano passado, quando o avanço foi de 10,6 por cento. Impulsionado pela Copa, o resultado de 2014 ficou dentro da faixa estimada pela companhia de um dígito alto a dois dígitos baixos para o ano.

Com relação ao plano de investimentos da Ambev no país, Jamel afirmou que o foco da companhia está mudando para mais projetos comerciais e menos projetos de capacidade "pura e simples".   Continuação...