Dólar sobe 0,60% ante real e renova máxima em mais de dez anos

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015 17:26 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar renovou a máxima em mais de uma década ante o real nesta quinta-feira, após uma rodada de dados mistos sobre os Estados Unidos sugerirem que o Federal Reserve pode começar a elevar a taxa de juros em meados deste ano, apesar de declarações cautelosas da chair do banco central norte-americano, Janet Yellen.

A moeda norte-americana subiu 0,60 por cento, a 2,8852 reais na venda, após atingir 2,8414 reais na mínima da sessão e 2,8945 reais na máxima. Trata-se do maior nível de fechamento desde 15 de setembro de 2004, quando foi a 2,903 reais. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,7 bilhão de dólares.

Os preços ao consumidor dos EUA tiveram em janeiro a maior queda desde 2008, mas o núcleo da inflação, que não inclui energia e alimentos, subiu 0,2 por cento no período. Em outros dados, as encomendas de bens duráveis subiram, revertendo a queda de dezembro, e os novos pedidos de auxílio-desemprego aumentaram mais que o esperado na semana passada.

"Na margem, eu diria que os dados mantêm o Fed em vias de elevar os juros entre junho e setembro", disse o economista da 4Cast Pedro Tuesta.

Na terça-feira, a falta de uma sinalização mais contundente de que o aperto monetário teria início em breve no discurso de Yellen, do Fed, em comitê do Senado dos EUA havia levado os contratos futuros dos juros norte-americanos a embutir aumento de juros em outubro, sendo que até então apontavam setembro.

Economistas em pesquisas da Reuters, contudo, vêm repetidamente projetando que o banco central agirá em junho. Juros mais altos nos EUA podem atrair para a maior economia do mundo recursos investidores atualmente em países como o Brasil.

Mais cedo, o dólar chegou a recuar firmemente, após o analista da Moody's Mauro Leos afirmar que, mesmo num cenário que envolve algum tipo de apoio financeiro à Petrobras, a dívida brasileira não ultrapassaria 70 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ainda compatível com o rating "Baa2".

A moeda norte-americana havia avançado 1,22 por cento na sessão passada em reação ao rebaixamento da petroleira pela Moody's ao grau especulativo.   Continuação...