Brasil fecha 81.774 vagas formais em janeiro, pior resultado para o mês desde 2009

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015 11:24 BRT
 

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil fechou mais de 80 mil vagas formais de trabalho em janeiro, no pior resultado para o mês desde 2009, indicando que o mercado de trabalho começou o ano com fraqueza sobretudo no comércio.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho nesta sexta-feira mostraram que foram fechadas 81.774 posições no mês passado, muito acima do fechamento de 20 mil empregos esperado por economistas, segundo a mediana de pesquisa da Reuters.

Foi o segundo mês consecutivo de redução de postos de trabalho formais no Brasil, após o fechamento em dezembro de 555.508 posições com carteira assinada, sem ajustes.

O comércio varejista fechou 97.887 postos de trabalho em janeiro, enquanto o comércio atacadista mostrou estabilidade com a criação de apenas 87 vagas. Já a área de serviços registrou perda de 7.141 postos de trabalho.

Por outro lado, a indústria de transformação voltou a contratar em janeiro após oito meses perdendo vagas, com 24.417 postos de trabalho criados. A agricultura teve geração de 9.428 vagas.

Afetado pela economia em baixo ritmo de expansão, o mercado de trabalho desacelerou a oferta de vagas de emprego com carteira assinada em convergência com uma atividade mais fraca. Em 2014, o Brasil gerou menos de 400 mil postos de trabalho, no pior desempenho em 12 anos.

Pesquisa Focus do Banco Central com economistas de instituições financeiras divulgada na segunda-feira mostrou que, pela mediana, as expectativas são de contração do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,5 por cento neste ano.

Em mais um dado ruim, a taxa de desemprego no país subiu a 5,3 por cento em janeiro, no maior nível em mais de um ano devido a demissões e maior procura por vagas, aumentando a pressão sobre o governo da presidente Dilma Rousseff. [L1N0W00YR]

Com o esfriamento da economia e a maior dificuldade de contratação, o Ministério do Trabalho deixou de fazer previsões para a geração de emprego este ano.

(Reportagem de Luciana Otoni e Camila Moreira)

 
Trabalhadores descarregam alimentos de caminhões no Ceagesp, em São Paulo. 25/02/2015 REUTERS/Nacho Doce