Dólar tem dia volátil e cai 1% ante real, mas marca 6º mês de alta

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015 17:23 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - Em uma sessão marcada por volatilidade devido à briga pela Ptax de fevereiro, o dólar chegou a superar 2,92 reais mas passou a cair e fechou em queda de 1 por cento, após números fortes sobre as contas públicas aliviarem parte das preocupações do mercado com a solidez do ajuste fiscal.

Mesmo assim, a divisa marcou o sexto mês consecutivo de apreciação, refletindo ainda a deterioração dos fundamentos macroeconômicos domésticos e a aproximação da alta de juros nos Estados Unidos. Segundo analistas, a tendência é que a escalada continue, mas possivelmente mais lenta, com investidores dando um respiro até que encontrem novos motivos para voltar a comprar dólares.

A moeda norte-americana recuou 1,01 por cento, a 2,8560 reais na venda, após chegar a 2,8444 reais na mínima e 2,9211 reais na máxima da sessão. Em fevereiro, a divisa subiu 6,19 por cento, acumulando valorização de 27,56 por cento nos últimos seis meses. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1 bilhão de dólares.

"Todo mundo sabe que o dólar tem espaço para subir, a questão é quão rapidamente isso vai acontecer. Por enquanto, parece que a estilingada perdeu um pouco de força", disse o gerente de câmbio do Banco Confidence, Felipe Pellegrini.

Dados do BC mostraram nesta manhã que o setor público consolidado apresentou superávit primário de 21,063 bilhões de reais em janeiro, melhor do que o esperado por analistas.

A cifra tirou alguma força da preocupação de investidores com a perspectiva de o ajuste fiscal promovido pela equipe econômica liderada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, não ser capaz de resgatar a credibilidade da política fiscal, principalmente em um quadro de contração econômica e inflação elevada.

"É uma primeira informação, vamos ter que esperar as demais. Para o dia de hoje, é animador", disse o economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank, Jankiel Santos.

O governo também anunciou mais medidas de restrição fiscal, mais do que dobrando o imposto sobre a folha de pagamento e reduzindo a alíquota do Reintegra até 2017, injetando ainda mais confiança nos mercados financeiros.   Continuação...