Dilma diz que conjuntura mudou e levou a ajuste nas desonerações em folha

sábado, 28 de fevereiro de 2015 15:17 BRT
 

(Reuters) - Um dia após o governo reduzir a desoneração da folha de pagamentos das empresas visando reequilíbrio das contas públicas, a presidente Dilma Rousseff reafirmou neste sábado a importância do instrumentos, mas afirmou que em "certas conjunturas" há necessidade de ajustes.

"Agora, foi para cima", afirmou a presidente na cidade de Colônia, no Uruguai, onde participou da inauguração do Parque Eólico Artilleros, ao lado do presidente uruguaio José Mujica. "Quando a realidade muda, você muda."

Na manhã de sexta-feira, o Diário Oficial da União trouxe a Medida Provisória 669 elevando as alíquotas de contribuição previdenciária das empresas sobre receita bruta, que somadas com mudanças no Reintegra devem gerar uma receita para o governo da ordem de 14,6 bilhões de reais neste ano.

Dilma disse que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy e todos os setores da economia estão comprometidos com uma melhora das condições fiscais do país. Mas avaliou que Levy foi "infeliz" quando definiu na véspera como "grosseira" a aplicação da desoneração da folha de pagamento.

"A desoneração da folha foi importantíssima e continua sendo", disse a presidente. Se ela não fosse importante, nós tínhamos eliminado e simplesmente abandonado", reforçou.

No Uruguai, a presidente também voltou a atribuir a alta no custo da energia à falta de chuvas, e aproveitou para destacar a necessidade de integração não apenas no Brasil, mas nos países vizinhos, para amenizar os desequilíbrios.

"Veja, aqui (no Uruguai) está sobrando água. No Rio Grande do Sul, em todo o Sul do Brasil, está sobrando água. No Sudeste está faltando água, no Nordeste está faltando água, no Norte do Brasil tem água", disse.

"Se você, cada vez mais, interligar essas regiões, criar redes de transmissão que levem energia de um lado para o outro, melhora. No passado, quando nós começamos esse processo, tinha água no Brasil e faltava água na Argentina e no Uruguai. Agora, inverteu", acrescentou.

(Por Paula Arend Laier)