MEC não oferece respostas objetivas sobre Fies, dizem instituições de ensino superior

segunda-feira, 2 de março de 2015 14:57 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Representantes das instituições de ensino superior não conseguem obter respostas objetivas do Ministério da Educação e Cultura (MEC) sobre critérios, prazos e justificativas para as mudanças no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), mesmo tendo participado de reuniões quase semanais com o governo, disseram entidades do setor nesta segunda-feira.

As mudanças introduzidas no programa de financiamento no final do ano passado pegaram escolas e alunos de surpresa, "porque não foram colocadas em discussão e tampouco comunicadas previamente às partes envolvidas", disseram as associações em nota.

O comunicado enviado à imprensa é assinado pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Ensino Superior (Abraes), Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), Associação Brasileira das Faculdades Isoladas (Abrafi) e Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup).

Uma parcela dos alunos não tem conseguido realizar o financiamento pelo sistema online, que vem apresentando problemas tanto para quem está acessando o financiamento pela primeira vez quanto para a renovação de contratos.

"O sistema tem ficado frequentemente fora do ar, tem sofrido instabilidades, lentidão, recusado pedidos de financiamento sem explicação e apresentado mensagens de erro de difícil compreensão", disseram as entidades.

O MEC anunciou no final do ano passado mudanças no Fies, como exigência de nota mínima de 450 pontos no Enem com validade a partir de 30 de março.

O ministério também estabeleceu que empresas com mais de 20 mil alunos usando empréstimos do fundo poderão vender seus créditos do programa em um intervalo mínimo de 45 dias, ante 30 dias.

As entidades disseram que as instituições reconhecem que o MEC tem o direito de definir quais parcelas das mensalidades está disposto a financiar e estabelecer critérios para isso.

Por outro lado, elas esperam que o governo honre os contratos já assinados "e que não introduza todo tipo de mudança, que incluem até a suspensão do pagamento às escolas, sem transparência ou aviso prévio às partes envolvidas".   Continuação...