Protestos afetam negociações de grãos, enchem silos no interior e esvaziam nos portos

segunda-feira, 2 de março de 2015 17:42 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - Os protestos de caminhões no Brasil entraram em seu décimo terceiro dia nesta segunda-feira com menos adesões do que na semana passada, mas a situação ainda é crítica especialmente no Sul, afetando atividades agropecuárias, os negócios e a movimentação de grãos, como soja e milho.

Com os bloqueios concentrados no Sul, ocorrendo ainda em 23 pontos nesta tarde nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, produtores, cooperativas e compradores de grãos têm receio de efetivar negócios devido à imprevisibilidade da entrega por conta dos protestos nas rodovias, com impacto na logística, armazenagem e na exportação de grãos.

"O protesto continua, está muito forte na região oeste, sudoeste do Estado (do Paraná), e o noroeste pega a região de Campo Mourão. É um problema sério, o pessoal não consegue se planejar, os armazéns estão começando a encher (nas propriedades rurais e cooperativas)", disse uma importante fonte do setor produtivo, que pediu para não ser identificada por temer represálias dos manifestantes.

Se os armazéns estão ficando cheios na origem, nas áreas de produção de soja e milho, eles estão mais vazios nos destinos, nas agroindústrias ou nos portos exportadores, na medida em que navios vão esgotando os estoques portuários para completar cargas programadas ou em que criações se alimentam com o que resta nos silos.

"O produto que vai para o porto é muito pouco, os estoques estão vazios nos portos, e não está chegando carga para completar. Ou está chegando muito pouco (nos portos), tem navio que carregou uma parte (da carga planejada) e está aguardando mais para fechar carga, e aí começa a pagar demurrage (multa por sobre-estadia do navio)", afirmou a fonte, com sede no Paraná.

Um porta-voz de Paranaguá afirmou à Reuters que o porto paranaense, o terceiro em soja do Brasil, tinha recebido 950 caminhões até a manhã de segunda-feira, o dobro dos dias anteriores, mas ainda bem abaixo do normal para esta época do ano. No fim de semana apenas 590 dos habituais 3.000 caminhões chegaram, acrescentou. Estradas foram bloqueadas em quatro pontos do estado do Paraná nesta segunda-feira.

No porto de Rio Grande (RS), segundo exportador brasileiro de soja em grãos, a situação continua crítica, considerando que os desbloqueios efetuados pela polícia no final de semana não aliviaram muito a situação, disse um porta-voz da administração portuária.

"Eles conseguiram liberar cerca de 60 caminhões para o porto, mas 60 caminhões não mudam muito a situação. Existem navios que estão esperando para completar o carregamento", disse nesta segunda-feira Andre Zenobini, da assessoria do porto.   Continuação...

 
Fila de caminhões no porto de Santos. 25/02/2015  REUTERS/Paulo Whitaker