México está disposto a manter cotas para importação de veículos com Brasil, mas crescentes

segunda-feira, 2 de março de 2015 21:45 BRT
 

Por Ana Isabel Martinez e Alonso Soto

CIDADE DO MÉXICO/BRASÍLIA (Reuters) - O México está disposto a manter por até mais dois anos um sistema com o Brasil de cotas crescentes para importação de veículos, em meio à pressão brasileira para que o regime de livre comércio automotivo não volte a valer a partir de 19 de março, disse nesta segunda-feira uma fonte com conhecimento das negociações.

As duas maiores economias da América Latina têm realizado reuniões em Brasília e na Cidade do México para renegociar o Acordo de Complementação Econômica Número 55 (Ace 55), modificado há três anos e que previa o retorno ao livre comércio após três anos de cotas recíprocas de importação.

"Desde que sejam cotas crescentes a partir deste mesmo ano, poderia ser considerado manter por um ou dois a mais o regime temporal para o nível de importações de veículos leves livres de tarifa para cada país", disse a fonte, que falou sob condição de anonimato.

O governo do presidente mexicano Enrique Peña Nieto disse que tal como acordado em 2012, a ideia principal é que se volte ao livre comércio automotivo.

Nesse sentido, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Brasil, Armando Monteiro, disse que seu país buscaria inclusive uma redução das cotas.

"Não é um segredo para ninguém que a perspectiva de renovar o acordo depende da disposição do México de rever certas questões que estão associadas com a manutenção e eventual redução no regime de cotas", disse Monteiro a jornalistas no Rio de Janeiro.

Representantes dos dois governos se reuniram em 9 de março no Brasil para revisar os prazos de renegociação, e fontes do governo Dilma Rousseff afirmaram estarem muito confiantes de que as cotas sejam prolongadas para entre três e cinco anos, o que é o desejo dos fabricantes de carros no Brasil.

Do lado mexicano, as montadoras estariam dispostas a prolongar o prazo até o máximo de dois ano --segundo uma das fontes-- em um momento no qual a produção e exportação de veículos bateram níveis recordes no México a apontam tendência de manterem-se em alta.   Continuação...

 
Carros estacionados no pátio da fábrica da General Motors em São José dos Campos,  interior de São Paulo. 23/02/2015 REUTERS/Roosevelt Cassio