Preocupações no Brasil pressionam mercado imobiliário em 2015, diz relatório

terça-feira, 3 de março de 2015 20:30 BRT
 

Por Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - Estagnação econômica, inflação resiliente e aumento do risco de déficit orçamentário no Brasil colocam em risco a expansão de uma década nos empréstimos imobiliários, minando uma das maiores fontes de financiamento para o setor, de acordo com um relatório da indústria.

    O montante dos empréstimos imobiliários financiados com dinheiro do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) subiu 3,4 por cento no ano passado, o menor nível desde 2003.

Vulnerabilidades macroeconômicas ameaçam a sustentabilidade do SBPE nos próximos anos, de acordo com um relatório da empresa de pesquisa de finanças estruturadas Uqbar Educação.

O aumento das taxas de juros está entre os fatores que podem dificultar a alocação de recursos governamentais para o crédito imobiliário e para o SBPE, disse o relatório. A empresa, com sede no Rio de Janeiro, pediu o retorno de políticas econômicas sonoras, como forma de garantir o crescimento sustentável do mercado no longo prazo.

    "Uma vez que recuperarmos a estabilidade macroeconômica, fontes de financiamento bancárias e do governo vão ganhar força, ao lado de instrumentos do mercado de capitais", disse o relatório ao qual a Reuters teve acesso antes de sua publicação na quarta-feira.

    O relatório é o mais recente alerta de especialistas sobre o aumento dos desafios enfrentados pelo Brasil na ainda incipente indústria de empréstimo imobiliário.

    O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, está tentando reverter a falta de regras do orçamento que caracterizou o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. Economistas esperam que cortes de gastos e aumentos de impostos por Levy devem levar a economia temporariamente para uma recessão antes de domar a inflação e restaurar a confiança.

    Os empréstimos imobiliários expandiram-se mais rápido do que outros tipos de crédito nos últimos anos, graças a um mercado de trabalho robusto, quedas constantes em custos de empréstimos e melhora das regras do setor. Alguns desses fatores, no entanto, estão agora mostrando sinais de fadiga.

    Os desembolsos para empréstimos lastreados pelo SBPE podem subir 5 por cento este ano, muito longe dos 37 por cento de expansão anual registrados nos últimos sete anos, disse recentemente a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip). O mercado de crédito imobiliário mais frio não parece colocar qualquer risco sistêmico para os bancos.

    Excluindo a estatal Caixa Econômica Federal [CEF.UL], a exposição do setor bancário brasileiro ao crédito imobiliário continua baixa.