Janot pede ao STF investigação de políticos envolvidos na Lava Jato

terça-feira, 3 de março de 2015 22:54 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - A Procuradoria-Geral da República encaminhou na noite desta terça-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) 28 pedidos de inquérito para investigar 54 pessoas, com ou sem mandato parlamentar, suspeitas de envolvimento num esquema bilionário de corrupção na Petrobras, informou a assessoria da PGR.

Os nomes dos investigados não foram divulgados, pois o caso corre sob segredo de Justiça. Os políticos com mandato parlamentar têm prerrogativa de foro privilegiado e só podem ser julgados pelo STF. No entanto, na lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, há pessoas sem mandato, que não têm foro privilegiado, mas foram incluídas por estarem vinculadas às denúncias.

Houve ainda sete pedidos de arquivamento por falta de indício em relação a citados na Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras.

Cabe agora ao ministro do STF Teori Zavascki, relator do caso no Supremo, acatar ou não um pedido de retirada do sigilo para que possam ser conhecidos os envolvidos nos pedidos de inquérito da PGR.

No meio político, a lista era amplamente aguardada. No Congresso Nacional, nesta terça-feira, o clima era de expectativa em relação aos pedidos de investigação de Janot ao STF.

O inquérito é a fase inicial do processo, e os políticos só serão réus no STF após ser apresentada e aceita a denúncia contra eles.

A Lava Jato investiga um esquema de corrupção em que empreiteiras teriam formado cartel para participar das licitações de obras da estatal e pagariam propina a funcionários da empresa, operadores que lavariam dinheiro do esquema, políticos e partidos.

O envolvimento de parlamentares é investigado com base nos depoimentos de delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef.

Até agora, 40 pessoas respondem a processo na Justiça Federal no âmbito da Lava Jato. Entre elas, dois ex-diretores da Petrobras --além de Costa, o ex-chefe da área internacional Nestor Cerveró-- e 23 réus ligados a seis das maiores empreiteiras do país.

(Por Nestor Rabello)

 
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, durante sessão administrativa em Brasília nesta terça-feira. 03/03/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino