Recuperação de estoques de grãos nos portos leva 1 semana após protestos, diz Anec

quarta-feira, 4 de março de 2015 18:19 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A recomposição dos estoques de grãos nos portos brasileiros deve demorar mais uma semana, após duas semanas de protestos de caminhoneiros que bloquearam rodovias do Brasil, esgotando os produtos nos armazéns portuários, afirmou nesta quarta-feira o diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes.

"Tem mais uma semana para normalizar, em função de os estoques nos portos terem baixado muito", disse Mendes à Reuters, ressaltando que essa normalização ocorrerá desde que as manifestações não voltem a ocorrer nas rodovias.

Desde que tiveram início as manifestações, as rodovias federais brasileiras não registravam um dia tão tranquilo.

A Polícia Rodoviária Federal registrou pela manhã somente quatro manifestações, fora de estradas e sem bloqueios, nesta quarta-feira. No pico das manifestações, mais de cem pontos de rodovias foram bloqueados.

Os protestos minguaram após a presidente Dilma Rousseff sancionar sem vetos a Lei do Caminhoneiro, que alivia pagamento de pedágio, perdoa multas e promete ampliar pontos de paradas para descanso. Além disso, houve acordos para elevar o valor pago pelo frete à categoria.

Os estoques nos portos recuaram devido a um menor fluxo de caminhões descarregando soja e milho nos principais portos exportadores.

As exportações só não foram severamente afetadas porque o produto armazenado garantiu o embarque de mercadorias, na maior parte do tempo. Ainda assim, houve relatos de navios esperando mais tempo para completar a carga antes de partir para o exterior.

O diretor-geral da Anec admitiu, ao ser questionado, que as exportações de grãos do Brasil em fevereiro poderiam ter sido maiores. Mas ele não entrou em detalhes.

As exportações de soja do Brasil no mês passado foram as piores para o mês de fevereiro dos últimos quatro anos, somando 869 mil toneladas.   Continuação...